sábado, 22 de setembro de 2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
OPINIÃO: A primeira grande vitória do “esquecimento” sobre o direito à memória e à verdade em Pernambuco (Por Otávio Luiz Machado)
A primeira
grande vitória do “esquecimento” sobre o direito à memória e à verdade em
Pernambuco
Otávio
Luiz Machado*
No presente texto pretendo fazer
considerações profundas sobre o trabalho da Comissão Estadual da Memória e da Verdade de
Pernambuco que leva o nome de Dom Helder Câmara. É melhor levantar algumas
questões agora no início dos trabalhos da Comissão ao invés de deixar isso só
para o final dela.Primeiro porque tratamos de duas questões importantíssimas: a memória do País e o uso
de recursos públicos do País.
Ontem (20 de setembro de 2012) o nome
mais importante para o esclarecimento de diversos crimes de agentes públicos ou
pessoas comuns num aparato repressivo esteve presente para ser ouvido pela
Comissão, mas seus membros não tiveram capacidade de conduzir bem a coleta do
depoimento, embora é importante frisarmos que todos estavam diante de uma
pessoa fria, que calculava bem cada palavra que pronunciava e não se mostrava
arrependida de nada do que se envolveu.
O ex-Major da Polícia Militar de
Pernambuco José Ferreira dos Anjos disse o que quis e da forma que lhe foi mais
conveniente, pois faltou preparo e esforço do conjunto da Comissão em tornar
aquele momento um marco no início efetivo do resgate histórico da repressão em
Pernambuco.
Antes de passar adiante cabe uma análise
da análise do que ocorreu ontem pela imprensa e pelos próprios membros da
comissão.
O JC na sua capa de hoje (21 de setembro
de 2012) estampou oseguinte manchete: “Ex-Major Ferreira abre o verbo sobre a
ditadura na Comissão da Verdade”. Na matéria o jornalista diz que é inédita a
inserção do nome do empresário Roberto Souza Leão à lista dos apoiadores da
repressão em Pernambuco. Ainda errou o nome da viúva de Candido Melo, que é
Joana Melo. Mas teve o diferencial de ouvir alguém ligado à família do citado
empresário, que teve pelo menos a oportunidade de dar outra versão dos fatos.
Alguns membros da Comissão consideraram o depoimento dele evasivo, como é o
caso de Nadja Brayner e Roberto Franca, segundo a matéria citada do JC.
A matéria da Folha de Pernambuco
intitulada “Ex-major Ferreira aponta nomes que foram do CCC” foi mais representativa porque trouxe a
percepção dos presentes de que o depoimento do ex-Major Ferreira frustrou a
todos, inclusive tendo como ponto alto a fala da viúva de Cândido sobre o
desconhecimento do militar sobre o atentado a Cândido: “ele tinha a missão de
vigiar o meu marido e disse que não soube do atentado. Isso é impossível, como
é que ele não soube quem tentou matar meu marido?”.
No Diário de Pernambuco a matéria “As
poucas explicações de Ferreira”, além de trazer a visão dos que foram
perseguidos quanto ao depoimento de Ferreira, ainda teve o bom senso de trazer
o tom “decepcionante” do depoimento.
O JC foi o único dos grandes jornais a
dar capa para o depoimento do ex-major. Nem Folha de Pernambuco e nem o Diário
de Pernambuco deram tanta atenção a isso no principal espaço de visibilidade.
Mais agora entro com as minhas
percepções da sessão de ontem. A começar pela disposição dos membros da
comissão e do depoente no local escolhido, diria que posição do depoente de
frente para os membros seria a mais adequada, porque é preciso ter o face a
face na conversa e não lado a lado. A maioria dos membros da comissão fez as
perguntas sentados numa cadeira ao lado e iam se revezando nisso. Mas o
principal nome – a relatora do caso de Cândido Pinto Nadja Brayner – o fez
distante do depoente e sem possibilidade alguma do face a face.
Como ela militou com Cândido Pinto na
época que ele sofreu o atentado e certamente o ex-major Ferreira a “monitorou”
naquele período, ou a membro teve medo
de se aproximar ou o ódio a ele foi
tamanho que não permitiu o “olho no olho”. Ou ainda faltou melhor organização
para a sessão.
As perguntas promovidas pelos membros da
Comissão até que não foram tão ruins, mas faltou sintonia, concatenação,
articulação e mais firmeza na argumentação. Era preciso mesclar questões mais
objetivas e diretas com questões mais conceituais. No único momento que ele
começou a se abrir para explicar o surgimento do DOI-CODI foi interrompido.
Ele estava disposto a contar como era o
ambiente dos aparelhos repressivos e do clima na época, mas além de ser
interrompido pela relatora Nadja Brayner, também foi interpelado com mais uma
piadinha do membro Pedro Eurico que dizia que na demorada fala sobre Cuba só
faltava ele concluir que foi Cuba que possibilitou criar o DOI-CODI. Isso foi
um desrespeito com o depoente e também com o público. Ali não era ambiente para
isso e nem precisava disso. Não é brincando que se vai arrancar informações
preciosas.
Também foram vários momentos mecânicos
com o pergunta/resposta sem a promoção de um cenário favorável para que o
depoente se sentisse disposto a colaborar. As piadinhas e as ironias de
diversos membros assombraram da mesma forma que o “silêncio” do depoente.
O ex-Major não convence que em abril de
1969 estava somente cumprindo ordens do Exército para prender os estudantes que
haviam sido presos anteriormente em Ibiúna. O caso de Ibiúna é de outubro de
1968. Esse álibi mascara a realidade daquele momento preciso. Dava para
explorar do ex-major que em abril de 1969 foi aberta a temporada de “caças aos
comunistas”, tendo ele com um dos nomes fortes para isso. O assunto não era
simplesmente prender estudantes, mas ir além.
É muita coincidência que o único que ele
não conseguiu prender ali no “bolo” foi o primeiro a levar bala no corpo.
Inclusive o que ele procurava “sem localizar” estava na lista do Comando de
Caças aos Comunistas (CCC) como o primeiro da “lista” para morrer. O que deixa
transparecer que o ex-Major não entrou no caso para simplesmente prender
Cândido, e sim promover algo mais.
O que me chamou bem a atenção foi a
falta de menção à “Carta aos Professores”, que foi escrita por Cândido Pinto semanas
antes de ser baleado.
Também poderia ter sido explorado mais o
Decreto-Lei 477 (de fevereiro de 1969), que foi mais um instrumento para
perseguir os estudantes, que foi o grupo social que mais combateu a ditadura
civil-militar no nosso País.
Esses estudantes já estavam devidamente
fichados e já sofriam “monitoramento” nas faculdades. Mas é fato que para
chegar aos que interessavam precisam prender tantos outros para não deixar
suspeitas, pistas ou argumentos de que a perseguição às lideranças era algo
incansável e brutal.
O fato é que o Decreto-Lei mostrou-se
insuficiente nos primeiros meses depois de sua vigência para reprimir. Também
havia a feliz complacência de diversos gestores e professores com a liberdade
de expressão dos estudantes, o que irritava as forças de repressão. O início
das prisões em massa e os atentados aos mais visados era uma força de pressão
para que as universidades se adequassem ao sistema repressivo vigente na sua
totalidade.
O assunto da reforma universitária – com
a diminuição das possibilidades de protestos internos – estava na ordem do dia.
Sem contar que a comemoração aos cinco anos do golpe gerou atos espetaculares e
radicais por toda parte. Com efeito, em 31 de março de 1969, houve a
palestra intitulada “A reforma universitária e a revolução democrática de 31 de
março de 1964”
, durante a qual o “Professor” Ernani
Silva fez considerações sobre o tema na UFPE: “Entre as metas previstas pela
vitoriosa Revolução Democrática de 31 de março de 1964, se sobressae pelo seu
conteúdo e significação, a Reforma Universitária, já em plena execução,
objetivando, sobretudo, melhorar o padrão técnico-científico do pessoal que
pontifica nas Universidades, condicionando assim melhores oportunidades para os
que buscam nos Estabelecimentos de Ensino Superiores do país, melhor aprimoramento
no domínio das Ciências, das Artes, da Literatura, etc. O que jamais se cogitou
no Brasil (sic) ampla Reforma Universitária, foi definitivamente feita
no Govêrno do honrado Marechal do Glorioso Exército Nacional, o Presidente
Artur da Costa e Silva”.
Ao tomar posição em relação ao Decreto-Lei 477,
Cândido Pinto resgatou o ideário da reforma universitária e suscitou a
participação dos estudantes na perspectiva tradicional do movimento estudantil.
Foi enfático: “As repressões, masmorras, torturas e até as mortes já não nos
intimidam. Esta é a nossa posição, e estamos dispostos, através de nossos
órgãos de representação (particularmente a UEP, em nosso estado e a UNE, em
termos nacionais), a leva-la até as últimas conseqüências”.
Dois meses depois de circular a “Carta aos
Professores”, Candido Pinto sofreu um atentado à bala numa das ruas do Recife.
E nesse período de tempo considerável ele e quem estava ligado a ele estava
sendo espionado, mas não o prenderam. Os militares e seus colaboradores
esperaram o momento certo para prendê-lo e na tortura arrancar tudo que queriam
saber. Mas Cândido resistiu a tudo isso e foi baleado. O deixaram na rua para
que ele servisse como exemplo, como foi o caso do Padre Henrique. Era preciso
não apenas matar ou mutilar, mas, sobretudo expor os “inimigos”. É a tática de
intimidação mais utilizada por regimes de exceção.
A Comissão deveria ter trazido – de
preferência alguém de fora do Estado – com larga experiência no estudo dos
sistemas de informação – para dialogar com o ex-Major Ferreira. Há nomes na
UFRJ e em outras universidades que poderiam ajudar. Também alguém especializado
na relação entre os organismos de repressão, porque aí sim poderia “extrair” informações
preciosas.
Também é preciso mudar posturas. È
preciso ir para a sessão não com suas verdades acima de tudo, mas com o
compromisso de superá-las e sem medo dos grandes
contrastes. O excesso de certezas de alguns membros da Comissão impediu que o
mínimo possível fosse retirado do depoente. O mais difícil foi conseguido, que
foi a presença dele para falar, mas sem resultados maiores.
O ex-Major Ferreira como agente público
que estava de alguma forma envolvido em questões que deixaram marcas
permanentes até hoje – como é o caso de crimes contra os direitos humanos –
precisa repensar seu posicionamento e fornecer informações efetivas do que
sabe. Não é só um dever como cidadão, mas como um ser humano que diz ir visitar
seus amigos falecidos no cemitério da Várzea com freqüência. Incluindo seu
conhecido de Seminário como ele próprio diz, o Padre Henrique. Quem nega sua
própria história anula-se como sujeito histórico e como ser humano, tornando-se
uma máquina pura e simplesmente.
Se estão sendo alocados recursos
públicos para a Comissão, então espera-se que no mínimo os princípio da
eficiência e da publicidade sejam levados ao extremo, porque é a última grande
oportunidade que a sociedade vai ter de desvendar os crimes cometidos durante a
ditadura civil-militar de 1964. Primeiro porque uma situação totalmente favorável
para o “resgate histórico” dificilmente haverá outra. Segundo, daqui a pouco
não vai ter mais ninguém a contar ou a ajudar resgatar essa história,
considerando que os “personagens” estão entrando na faixa de idade onde a morte
se aproxima, indubitavelmente.
É preciso mudar o ritmo da Comissão,
inclusive exige-se que os seus membros tenham uma dedicação maior aos
trabalhos, porque o que observamos é que isso está longe da realidade.
*
É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
SERVIÇO: Informativo do Programa Pluralidades, Juventudes, Educação e Cidadania (PROPEJEC)
informativo
Programa Pluralidades, Juventudes,
Educação e Cidadania (PROPEJEC)
Agosto-Setembro de 2012
CONTATOS:
CARTA PARA: Caixa Postal 7828. CEP: 50.670-000. Recife-PE
FONES: 55 (81) 8762-5471 Ou 9941-6854
Editorial
No momento em que fechávamos o número do nosso informativo recebemos a triste notícia do falecimento do Professor Denis Bernardes. Como ele foi o grande incentivador e um intenso colaborador das nossas atividades, também não poderíamos deixar de dedicar boa parte do espaço a ele. Sua obra, seus compromissos, suas lições e a presença humana e generosa merecem ser conhecidas. Alguns de seus amigos e amigas narram um pouco a figura de Denis da mesma forma que se relacionaram com ele: doce, fraterna e esperançosa. No próximo informativo apresentamos as informações que foram suprimidas do presente informativo, pois o destaque que precisa ser dado à figura humana de Denis Bernardes é algo que merece muito mais nesse momento. É a nossa homenagem a ele!
1– Uma homenagem ao Professor Denis Bernardes (Veja abaixo)
2– Projupe-UFPE apresenta seus principais resultados e novo Programa começa a ganhar evidência (Veja abaixo)
3– Nova série do Propejec disponibiliza livros eletrônicos e uma série de fontes de pesquisas via internet (Veja abaixo)
4– Pesquisador do Projupe disponibiliza estudo inédito sobre os protestos públicos na cidade de Recife (Veja abaixo)
1 – Uma Homenagem ao Professor Denis Bernardes
Denis Bernardes (Por Fernando Lima)
No fecho de uma das obras-primas de Bergman, O sétimo selo, a morte conduz o séquito das suas vítimas recortadas na linha do horizonte. Seguem-na, os mortos, enfileirados e dançando. Dançam uma dança solene rumando para a escuridão irreversível. A cena é narrada por um obscuro artista ambulante. À luz do amanhecer, descreve a cena para sua mulher que traz o filho pequeno ao colo. A visão do narrador se dilui quando a mulher sensatamente observa: você e suas fantasias... E se vão puxando a carroça através dos campos desertos da vida. Cito de memória, daí a omissão das aspas.
Foi a morte de Denis Bernardes, no último sábado, 1 de setembro, o que me induziu a evocar o filme e a cena acima descrita com as tintas borradas da memória. Quem conhece o filme sabe que é uma luta entre o cavalheiro medieval (Max von Sydow) e a morte. A luta se trava na forma de uma partida de xadrez. O cavalheiro é um jogador exímio, um adversário refinado na arte do jogo, que é o jogo da vida, mas sabemos que está fadado à derrota. Pois quem teria gênio, astúcia e poder para dobrar a Inescapável nesse longo e fatal combate que contra ela travamos?
Setembro chegou privando-me, sem aviso prévio, de mais um dos grandes amigos de minha vida. O primeiro, Daniel Lima, morreu em abril. Com sua imaginação irreverente, Daniel habituou-se nos últimos anos do nosso convívio a aludir à morte como a Magra Caetana. Na visão do saltimbanco do filme de Bergman, ela lidera o séquito dos mortos portando a foice e a ampulheta. Nunca conversei com Denis, a sério ou brincando, sobre essa figura mítica e aterradoramente real. Lembro-me de que falamos com muito humor da velhice. Meu último encontro com ele e Gildo Marçal foi com certeza o mais divertido de tudo que com ambos compartilhei. Entramos a falar da vida e da velhice com a imaginação transfigurada pela magia do vinho tinto (que Gildo há muito estava proibido de beber e por isso nos acompanhava com a sobriedade lúdica dos viciados em Coca-cola) e daí fantasiei nosso internamento numa clínica geriátrica em tom bem mais delirante do que o da personagem de Bergman descrevendo a Magra Caetana e seu séquito dançando rumo à escuridão definitiva.
Além da beleza da cena que encerra o filme de Bergman, achei belo fantasiar meus amigos Daniel e Denis somando-se ao séquito da morte dançando como crianças. Ambos reverteram, fatalidade dos que morrem, à escuridão que ata os dois extremos de nossa passagem por este mundo: a escuridão do útero, de onde brotamos, e a escuridão do desconhecido, obra da foice e da ampulheta empunhadas pela Magra Caetana. Nada me custa imaginar Daniel saltitante, dançando a dança incontornável da morte. Custou-me um pouco figurar Denis despedindo-se da vida e dos que o amam, e aqui ficam, seguindo as pegadas dionisíacas de Daniel, a este dando uma mão, a Gildo a outra, enquanto mergulhavam na escuridão que doravante nos separa.
A memória involuntária, entretanto, astuta como a Magra Caetana no jogo de xadrex da vida, salta do fundo do meu inconsciente e repõe na luz transparente do dia uma cena de certo carnaval de Olinda. De repente, me vi na folia ao lado de Denis, Rita, Marjorie e Natan Sarmento. Logo que Denis e Rita casaram, depois de um namoro que começou no meu apartamento, o casal Marjorie e Natan a ambos somou-se criando uma espécie de confraria de farras de fim de semana. Participei de poucas, duas ou três, mas foi o suficiente para avaliar o quanto se ligaram através dos elos profundos da amizade feita de convívio alegre e festivo. Até onde pude perceber, esse foi o momento mais feliz da vida de Denis. A partir de então, nossa amizade encolheu e foi recuando para encontros esparsos e ocasionais. Outros amigos bem mais importantes entraram na sua vida. De uns dez anos para cá, diria que são eles, não eu, que melhor poderiam pronunciar-se sobre Denis, sobre fatos e experiências que mais profundamente vincaram seus últimos anos de vida.
Mas a imagem do carnaval que brotou do meu inconsciente traduz algo do espírito festeiro de Denis, avesso das suas características mais notáveis, aquelas que moldavam as linhas de um temperamento introspectivo, não raro dissimulado atrás de muitas portas inacessíveis. O Denis que aqui reponta, em plena folia do carnaval de Olinda, é o folião fantasiado como Dom Quixote, galopando um cavalo de fantasia escudado por seu fiel Sancho Pança, Natan Sarmento. Poucas vezes me diverti tanto no carnaval de Olinda seguindo-os rua afora na caça dissimulada, mas sempre sintomática, das mulheres lindas enfeitiçadas por esse circo colossal, esse delírio da imaginação coletiva que é o carnaval. Essas impressões me marcaram de forma tão profunda que na mesma tarde, recolhendo-me momentaneamente da folia, comecei a compor um longo poema intitulado Carnaval de Olinda. Por isso tomo a liberdade de abaixo transcrever os versos inspirados nas fabulosas aventuras que a fantasia carnavalesca os impeliu a desatar pelas ruas coloridas de Olinda:
De repente, um homem magro e recluso
se transfigura em Quixote
erra pelas ruas perseguindo mulheres
belas e atormentadas pela falta de amor ou pura carne.
Outro homem, um que fazia concursos e que já foi comunista
agora se chama Sancho e é louco qual o seu amo.
Mulheres vão libertando
que vivam o que desviveram.
A virtude atirem contra o diabo
que o corpo será dos homens,
amém.
São essas as memórias e imagens que quero reter nesta crônica dedicada a Denis Bernardes. Já que não era Bernardo, mas Bernardes, ficam aqui implícitos os muitos que foi. Outros com certeza melhor diriam sobre a obra de historiador que produziu, tão pouco conhecida. Mas o fato de Evaldo Cabral de Mello, um dos maiores historiadores brasileiros, distingui-lo com referências elogiosas a seu O Patriotismo Constitucional: Pernambuco, 1820-1822, sugere um pouco do que esta obra representa para o estudo do processo histórico complexo, e ainda pouco estudado, da nossa independência. Outros ainda, a maioria, poderiam opinar sobre sua vida de professor e pesquisador. Outros sabem melhor da coerência discreta com que militou em nome de causas e movimentos políticos temperados por sua presença sempre admirável no seu timbre de tolerância e civilidade, no senso de virtude agregadora que assinalava sua participação em muitos grupos intelectuais e políticos.
Alguns amigos comuns ocasionalmente me falavam nos últimos tempos de um Denis transformado por experiências dolorosas associadas à doença e circunstâncias privadas alheias ao nosso convívio direto, que se estendeu, com as interrupções inevitáveis, de 1974 à época em que casou com Rita de Cássia, sua segunda mulher. Depois disso nossos encontros foram sempre, como acima salientei, esparsos e ocasionais. Costumo dizer que a amizade é o privilégio da intimidade. Tive a ventura de compartilhar isso com Denis e alguns poucos, pois amizades autênticas não se fazem nem perduram em redes sociais ou no circuito volátil das festas e reuniões sociais. E a intimidade é por natureza inconciliável com a exposição. Denis foi dos raros dotados de um senso não somente ético e político, mas também temperamental, nitidamente discriminativo da fronteira entre vida pública e vida privada, entre o privilégio da intimidade, expressão maior da amizade, e a vida pública.
A propósito, conviria religá-lo neste ponto a Daniel Lima. Ato assim, por mero arbítrio associativo, as duas pontas da crônica, já que comecei juntando-os num mesmo parágrafo e agora volto a reuni-los para concluir a crônica. Foram ambos homens afortunados, pois tinham o dom de se fazer amar. Embora tão distintos em termos de personalidade e temperamento, desfrutaram sempre do privilégio de serem bem amados, de preservarem amizades fiéis ao longo da vida. Até onde sei, essas amizades essenciais se prolongaram até à linha fatal onde foram colhidos pela Magra Caetana portando sua foice e sua ampulheta. Um dia, nós que aqui ficamos e lhes preservamos a vida que sobrevive na memória e nos ritos simbólicos que atualizam no tempo os que partiram, um dia seremos também colhidos pela Inescapável. Tudo que desejo (que mais desejar em face da necessidade?) é que ambos, Daniel e Denis, tenham partido dançando de mãos dadas com Gildo Marçal, Paulo Medeiros e tantos outros que já percorreram a linha irreversível da vida. Tudo que desejo é também saber dançar a dança da morte, que se aprende na vida, no momento em que a foice e a ampulheta sobre mim descerem.
Recife, 3 de setembro de 2012.
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Luciano lamenta morte do professor Denis Bernardes
Na tribuna, Luciano homenageou o amigo Denis Bernardes.
O deputado Luciano Siqueira (PCdoB) ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa na tarde desta segunda-feira (03) para registrar seu pesar pelo falecimento do professor, pesquisador e historiador Denis Bernardes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O professor faleceu no último sábado (1º).
Segundo Luciano, Denis Bernardes foi durante sua vida acadêmica, “alagoano que era”, um partícipe ativo da luta democrática e também da construção de um pensamento avançado sobre a Região e sobre o país, no âmbito da UFPE.
“Denis fez mestrado na França e doutorado em História Social na Universidade de São Paulo (USP). Exercia muitas funções, dedicando-se de longa data à pesquisa para revelar a identidade do nosso povo, através de sua história, focado na Região Nordeste, e pode ao longo de décadas formar novas gerações de professores, de pesquisadores, de técnicos, novas gerações para a vida e para a vida acadêmica. O professor Denis Bernardes era também um grande conhecedor do carnaval pernambucano, da nossa cultura, um folião”.
Luciano disse ainda que, no último sábado, durante o velório no salão do Conselho Universitário da UFPE ouviu depoimentos de inúmeras personalidades, alunos, ex-alunos e funcionários da universidade a respeito da trajetória exemplar do professor falecido. “É, portanto, uma perda muito grande para o pensamento acadêmico, para a interpretação da nossa vida, da nossa gente, da nossa realidade, o falecimento do professor Denis Bernardes. E eu perdi um grande amigo”, lamentou.
Luciano encaminhou ainda requerimento à Mesa Diretora da Assembléia Legislativa no sentido de que a Casa manifeste voto de pesar oficial pelo falecimento do professor.
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Denis Bernardes em minha vida (Por Biu Vicente)
Vamos nos fazendo aos poucos, no tempo entre o nascimento e a morte. Não somos nunca de maneira definitiva e, somos a cada momento de nossa formação receptáculos da ação de muitos com que convivemos no tempo que nos e dado. Desses contatos, às vezes profundos, na maioria das vezes pouco mais que alguns momentos com certas pessoas são capazes de nos influenciar sobremaneira. Sempre penso nisso quando de alguma maneira tocam em meus ouvidos as palavras Denis Bernardes.
Morava em Nova Descoberta, onde cresci desde os quatro anos de idade, quando conheci Denis. Foi algum tempo depois da grande cheia de 1965 e, Dom Hélder Câmara havia iniciado a bela Operação Esperança com a motivação de organizar as populações que sofreram as grandes chuvas e a cheia do Rio Capibaribe. Em Nova Descoberta, jovem de quinze anos, misturava-me aos mais velhos na tarefa de organizar os dados das famílias sem casa e distribuir o material de construção para o reerguimento das casas nos morros e nos córregos. Desse trabalho surgiu o primeiro Conselho de Moradores, ali em Nova Descoberta. E foi um aprendizado, uma faculdade, pois começamos a receber jovens universitários que nos auxiliavam e nos ensinavam enquanto viviam conosco a beleza do aprender enquanto se faz e respeitando o conhecimento que já se possuía. Estudantes de medicina, de psicologia, sociologia, direito frequentavam o bairro e nossa casa. Eram muitas conversas, por exemplo, como a atual presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, a psicóloga TCampelo, hoje aposentada após anos de docência na UFPB. Mas além desses que participaram da invenção da liberdade com os jovens e adultos de Nova Descoberta nos anos sessenta através da presença institucional da Operação Esperança, havia outros.
Morando em casa no próxima à Subida da Colina dos Andes, dois jovens estudantes tornaram-se foco de atenção dos jovens ligados à Operação Esperança e aos grupos da Igreja Católica. Um deles eram Rubem e Denis Bernardes. Apenas moravam lá e mantinham a porta da casa sempre aberta para quem quisesse entrar, ouvir música, conversar. Fui levado àquela casa por Carlos Brito, hoje, creio, já aposentado como Juiz. Conversamos pouco e voltei duas ou três vezes. Foi assim que recebi o livro História do Brasil de Armando Souto Maior para preparar uma aula. Meses depois do AI 5. Nunca devolvi o livro que ainda está na minha estante. As decisões que tomamos e as decisões dos outros nos afastam dessas pessoas que nos ensinam. Mas, aprendemos, que ensinar é ser capaz de afastar-se para que o outro caminhe na direção da sua vida e não na direção do ensinante. Anos depois encontro Denis Bernardes professor de História na UFPE, mas não em História. Coisas da Academia e dos acadêmicos. Denis Bernardes com a singeleza dos gestos, comedimento nas palavras criou novas maneiras de interpretar o Recife. Seus artigos continuaram as conversas que tínhamos, eu menino de 18 anos e séculos de planos para o mundo, ele, o professor informal a indicar o caminho mais profundo para entender o Recife que nós dois amamos. Fui honrado em participar de algumas bancas acadêmicas ao seu lado. Tatiana Portela deu-me a oportunidade de, ao lado de Denis e na companhia de Manuel Correia de Andrade, discutirmos sobre Joaquim Nabuco, em um belo e premiado documentário.
Meu professor e amigo Denis Bernardes deixou conosco uma obra inspiradora a ser continuada. Todos os que convivemos com ele sabemos que nos fará falta. Mas todos sabemos que ele continuará conosco, pois somos imortais nos amigos que deixamos.
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Dênis Bernardes: a dor pela perda de um mestre (Por Marco Mondaini)
Da minha geração nordestina dos anos 1960, Dênis Bernardes era seguramente o mais talentoso (Gildo Marçal Brandão).
Escritas no ano de 2006 pelo cientista político e professor da Universidade de São Paulo, Gildo Marçal Brandão, as palavras da epígrafe acima explicitam o reconhecimento da grandeza intelectual do grande mestre que acaba de nos deixar, quando da publicação daquele que seguramente é o seu livro mais brilhante: O patriotismo constitucional: Pernambuco, 1820-1822.
Alagoano como Dênis, a morte do amigo Gildo, em 15 de outubro de 2010, aos 61 anos, causou-lhe uma profunda dor, uma dor proporcional àquela que todos nós — alunos, professores e técnicos — da Universidade Federal de Pernambuco, que tivemos a oportunidade de conhecê-lo mais de perto, sentimos em ocasião do seu falecimento neste 1º de setembro, aos 64 anos.
Historiador de uma erudição ímpar, Dênis foi um intelectual que, como poucos, soube fundir inteligência e generosidade. Todos os relatos feitos durante a sua despedida, no auditório João Alfredo, na Reitoria da UFPE, nesta triste manhã de domingo, procuravam reconhecer tal fusão. Porém, de todos os emocionados testemunhos, é impossível não destacar aquele feito pela filha da trabalhadora doméstica que, incentivada por Dênis, em meio à sua biblioteca olindense, chegou, anos depois, à universidade, tornando-se graduada e pós-graduada.
De fato, tal depoimento revela por inteiro o compromisso ético-político deste historiador que, alinhado ao que de melhor existe no campo do pensamento crítico, optava por dar destaque em suas ricas análises às rupturas e transformações sociopolíticas ao invés de enfatizar a força modorrenta das permanências e continuidades de longa duração, o que o levava a sempre desconfiar das investigações que enfatizavam, em suas conclusões, a potência da inércia histórica, as amarras temporais responsáveis pela reprodução social. Por isso, para Dênis, as lutas políticas travadas por Frei Caneca e Gervásio Pires, no contexto da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824, não poderiam deixar de ser realçadas com vigor pelo discurso historiográfico.
Daí, por outro lado, a sua preocupação crescente com a história dos direitos, em particular com o desenvolvimento histórico da “proteção social nas constituições brasileiras” — título da disciplina por ele criada e ministrada no Departamento de Serviço Social, há alguns anos.
Finalizo a presente nota, neste momento em que a perda do mestre ainda causa uma forte dor, deixando que ele mesmo expresse aquela que foi a sua grande utopia, num dos seus últimos escritos. Então, num prefácio dedicado à memória do amigo Gildo, com o significativo título “O projeto de uma humanidade livre da miséria”, escrito para um livro meu publicado no final de 2011, o historiador que fez da inteligência generosidade afirmava que:
O projeto de uma humanidade livre da miséria, da fome, da exploração, das injustiças, da ignorância esteve presente ao longo da história e, felizmente, ainda não desapareceu do seu horizonte [...]. Pois esta é uma luta na qual o passado é uma referência fundamental, contudo, jamais encerrada e ainda presente.
Pois bem, uma das maneiras de manter viva a memória desse homem que tanto se engajou no resgate e preservação da memória histórica em nosso país talvez seja dar continuidade à luta por esse projeto. Com isso, por muito tempo ainda, poderemos exclamar: Dênis, presente!
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Nota do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano
Universidade Federal de Pernambuco em memória de Denis Bernardes
Recife, 03 de setembro de 2012.
O Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano –
MDU/UFPE expressa sua admiração e respeito pelo trabalho do grande mestre Denis Bernardes. Sua participação sempre constante nas orientações e bancas examinadoras marcou com enorme competência a formação de mestrandos e doutorandos, engrandecendo assim as pesquisas em curso no programa. Exímio pesquisador relatava os fatos com a força de um espírito inquieto e apaixonado pela busca do conhecimento revelando extrema sensibilidade que transbordava de sua alma de entusiasta da causa histórica e urbanística. A emoção presente em suas palavras ficou e ficará por muito tempo nas salas de aula como exemplo de dedicação, estímulo e bravura. Fica desse sentimento a frase de Mário Quintana: “O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”.
A Coordenação.
Maria Ângela de Almeida Souza
Coordenadora do PPGMDU
Ana Rita Sá Carneiro
Vice-Coordenadora do PPGMDU
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Algumas palavras a Denis Bernardes, por nossa grande amizade, iniciada desde 1969 (Por Emilia Maria Mendonça de Morais)
Fonte: http://movimentosjuvenisbrasileiros1.blogspot.com.br/2012/09/opiniao-algumas-palavras-denis.html
Recife, 02 de setembro de 2012
Todos nós sabemos por que estamos aqui hoje; todos nós recebemos e desfrutamos a dádiva da presença, da atenção e da amizade de Denis. Ele foi sobretudo um amante da justiça e, muito particularmente, da beleza, cuja fome podemos saciar sem contra-indicações ou efeitos colaterais. Guardemos sobretudo isso dele porque vivemos em um tempo que nem mais reconhece esses valores como vitais. Corremos o risco de nos contentarmos com muito menos; menos que a justiça, muito menos que a beleza.
Denis foi também um amante da alegria! Por tudo isso, relembro algumas das palavras que encerraram o discurso de Guimarães Rosa quando tomou posse na Academia Brasileira de Letras: "A gente morre é para provar que viveu". E como Dênis viveu!
Disse ainda Guimarães Rosa: "Sobe a luz sobre o justo e dá-se ao teso coração alegria!" (...) As pessoas não morrem, ficam encantadas". Logo em seguida, concluiu: O mundo é mágico. Vamos dar, aqui e agora, movidos pela saudade e pela esperança, um crédito de confiança ao poeta: se nós ainda estamos vivendo neste mundo, é só porque nós mesmos ainda não nos tornamos encantados; mas, se este mundo é mesmo mágico, então, nós todos estamos vivendo sob muitos sortilégios e encantamentos.
Por isso eu pediria: apesar de toda a nossa tristeza por sua ausência, que nós nos nutríssemos, a partir deste instante, do doce encantamento que foi desfrutar da amizade de Denis.
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Uma homenagem ao Professor Denis Bernardes
(Por Otávio Luiz Machado)
FONTE: http://movimentosjuvenisbrasileiros1.blogspot.com.br/2012/09/uma-homenagem-ao-professor-denis.html
Ao receber a notícia do falecimento do Professor Denis Bernardes, que era ligado ao Departamento de Serviço Social da UFPE, também fiquei bastante entristecido, porque via nele uma das pessoas mais sensíveis e comprometidas com o desenvolvimento educacional e científico do Brasil, sem contar a figura humana que cativava a todos que o conheciam.
Quando começamos a pensar nele após esse triste episódio, o que nos alenta é que ele deixou vasta obra, sem contar o seu exemplo e as lições que deixa como acadêmico e pessoa, pois conseguiu contribuir com a formação de inúmeras pessoas ao longo de vários décadas e ensinar tarefas intelectuais fundamentais.
A simplicidade de Denis Bernardes não contrastava com o seu status acadêmico invejável. Era um dos que soube fundir vida pessoal, vida acadêmica e projetos futuros. Não erra arrogante e nem ficava por aí tentando mostrar a si mesmo de forma vangloriosa, porque deixou marcas que não se apagarão, além de ser uma figura que se superava a cada novo desafio.
Em 2010 recebemos o convite dele para escrever um artigo coletivo sobre juventudes para a Revista Estudos Universitários da UFPE, na qual ele era o editor. No mesmo ano tivemos a participação dele num seminário nacional que organizamos na UFPE sobre os jovens. Em seguida participamos juntos da Conferência sobre Tecnologia, Cultura e Memória (CTCM) no Instituto Brennand. Num dos dias da atividade saímos de lá juntos e fomos conversando até a UFPE, inclusive trocando experiências das atividades que tínhamos interesses em comum.
Também me encontrei com eles várias vezes quando fazia alguns registros do cotidiano da universidade, no qual ele incentivava falando de sua importância e apontando o ineditismo da nossa iniciativa. O último contato que tive com ele aconteceu dias atrás, quando Denis enviou uma mensagem pelo correio eletrônico me parabenizando pelo artigo GREVE: A GERAÇÃO ANOS 1970 NO COMANDO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Foi a última vez que trocamos uma mensagem e alimentamos um convívio intelectual intenso.
Há dois anos atrás o nosso grupo fez um vídeo com ele, inclusive para registrar e buscar difundir o trabalho dele a partir da UFPE. Ele falou sobre sua formação e o que vinha desenvolvendo na ocasião.
http://www.youtube.com/watch?v=lZwyJcWy9p0 O que se busca nesse momento é a tranquilização das pessoas para que superem essa irreparável perda, ao mesmo tempo em que a UFPE e tantas outras instituições façam as devidas e merecidas homenagens ao grande Denis Bernardes. O próximo trabalho que vou publicar será dedicado a ele. Nesse momento além do que já disse, também cabe dizer uma última coisa. Boa viagem, Denis!
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Morre o professor Denis Bernardes (Por Arthur Pedro, Ascom/Fundaj)
Faleceu, no último sábado (1), aos 64 anos, o professor Denis Antônio de Mendonça Bernardes, do Departamento de Serviço Social da UFPE. O velório ocorreu no auditório João Alfredo, na Reitoria da UFPE, na manhã e tarde do domingo (2), e o enterro, no mesmo dia, às 17 horas, em Maceió (AL), cidade natal do docente.
Denis Bernardes dedicou toda a sua vida acadêmica à UFPE, onde iniciou a sua formação de historiador e era professor desde 1975. Lecionou e pesquisou no Departamento de Economia e, posteriormente, no Departamento de Serviço Social. Fez o mestrado na França e o doutorado em História Social na Universidade de São Paulo. Em suas mais recentes pesquisas, vinha se dedicando à relação entre memória, informação e sociedade. O professor era o atual editor da Revista Estudos Universitários da UFPE.
Denis pesquisava a fundo, nos arquivos e bibliotecas, a história política do Brasil no século XIX, principalmente a relacionada ao período próximo à Independência (Revoluções pernambucanas de 1817 e 1824), detendo-se na constitucionalidade, na imprensa da época e num personagem em particular: Frei Caneca. Desses estudos, surgiram os seus livros “Um Império entre Repúblicas”, lançado pela Editora Global, em 1983, e “O Patriotismo Constitucional: Pernambuco, 1820-1822”, editado em 2006 pela Editora Universitária da UFPE. Porém, apesar de ser um intelectual preocupado com temas como o Liberalismo e a cidade do Recife, o professor também enveredava por temas culturais, tendo um destes trabalhos dele resultado no livro “O Caranguejo e o Viaduto”, publicado pela Editora Universitária, em 1996.
Na Fundação Joaquim Nabuco, Denis teve uma atuação destacada, participando de diversos seminários promovidos pelas Diretorias de Pesquisa Social e de Documentação, seja como conferencista e/ou palestrante. Foi amigo e discípulo do antigo diretor do Centro de Estudos e Pesquisa da História Brasileira (Cehibra), e também historiador, Manuel Correia de Andrade, falecido em 2007, com quem colaborou em algumas pesquisas.
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2 – Projupe-UFPE apresenta seus principais resultados e novo Programa começa a ganhar evidência
Um conjunto de resultados dos projetos produzidos ou publicados a partir do Programa Juventudes, Democracia, Direitos Humanos e Cidadania da Universidade Federal de Pernambuco (Projupe/UFPE) já estão disponibilizados em livros, artigos e em anais de congressos científicos.
Visando facilitar o acesso aos possíveis interessados, o Projupe construiu um espaço onde as pessoas possam acessá-los gratuitamente.
Com destaque para o livro “Movimentos Estudantis, Formação Profissional e a Construção de um Projeto de País”, que é fruto de uma dissertação de mestrado e foi publicadao pelo Projupe no início de 2012:
Um importante livro é sobre os movimentos estudantis na cidade de Ouro Preto-MG entre 1964 e início dos anos 1970. Intitula-se “Um Pequeno Guia sobre o Movimento Estudantil e o Golpe de 64 em Ouro Preto”.
Dentre as produções mais novas podem acessar um livro de memória histórica intitulado “Aspectos da História dos jovens em Recife pós anos 1960”, que está aqui:
Outro livro em processo de conclusão já pode ser acessado, também. Com o título “Contributos para o pensamento das juventudes brasileiras”. Consulte-o aqui:
Com o Programa Pluralidades, Juventudes, Educação e Cidadania (PROPEJEC) em processo, ainda no segundo semestre de 2012, também serão publicados os livros “Juventudes, Democracia, Direitos Humanos e Cidadania” (uma coletânea de textos científicos) e “Juventudes na Cidade de Recife e sua Pluralidade”, de autoria de Otávio Luiz Machado.
Com o novo Programa começamos a fazer uma nova avaliação sobre os contributos e a motivação para se fazer tanto num curto espaço de tempo. “Como já idealizei e executei tantos outros programas exitosos como o PROJREP, o PROENGE e o PROJUPE, que focaram mais na questão das juventudes em décadas passadas, também vou batalhar para que o PROPEJEC tenha tantos resultados como os anteriores. Seu único diferencial em relação aos demais é que o foco será nas juventudes de hoje. Esse já é um sonho antigo e tentaremos desvendar as juventudes de hoje”, declarou o pesquisador Otávio Luiz Machado. Sobre o que o Projupe vai deixar de contribuição, Machado foi mais enfático: “Não só produzimos conhecimento de qualidade, mas formamos diversas pessoas a partir dessas atividades. Não inovamos apenas na reconstrução histórica, mas na observação e no registro de um cotidiano de uma universidade e de uma cidade. O trabalho sobre os protestos públicos em Recife está aí e ele foi muito intenso. Também foi muito importante estarmos em tantos lugares captando imagens e as disponibilizando quase a tempo real num sub-projeto fascinante. Até já copiaram ele por aí, o que significa que inovamos e deixamos exemplos a ser seguidos. Não só conquistamos novos espaços. Abrimos muitas perspectivas e idéias”.
3 – Nova série do Propejec disponibiliza livros eletrônicos e uma série de fontes de pesquisas via internet
Com um conjunto de projetos produzidos, também temos uma série de trabalhos publicados, sem contar as fontes primárias fundamentais para novos estudos e pesquisas para tantos estudantes e estudiosos no campo das juventudes ou dos movimentos juvenis. Aqui será o principal espaço para a divulgação dos nossos, que inclusive estão disponíveis para download:
Um novo blog foi criado, que também será alimentado com muitos textos, vídeos, documentos e opiniões. Aqui:
Os blogs anteriores poderão ser acessados, cujo conteúdo continua disponível mesmo com a capacidade de espaço toda tomada, como é o caso de:
4 – Pesquisador do Projupe disponibiliza estudo inédito sobre os protestos públicos na cidade de Recife
2012 foi um ano marcado por inúmeros protestos públicos na cidade de Recife, nas demais partes do Brasil e do mundo. No cenário urbano da cidade pudemos acompanhar e analisar vários momentos dos protestos públicos e apresentar um pouco do significado atual deles para a produção de cidadania e a formação cidadã.
O livro Múltiplas Juventudes: protestos públicos e as novas estratégias de mobilização juvenil em Recife (de Otávio Luiz Machado) é uma excelente contribuição nesse sentido. Pode ser acessado aqui:
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