quinta-feira, 18 de julho de 2013

Livros para download: Coleção JUVENTUDE, DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA







informativo

Programa Pluralidades, Juventudes,
Educação e Cidadania (PROPEJEC)

Boletim especial:
Coleção de livros JUVENTUDE, DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

CONTATOS:
CARTA PARA: Caixa Postal 7828. CEP: 50.670-000. Recife-PE
FONES:  (81) 8762-5471

Editorial

A nossa coleção de livros foi pensada para atender dois objetivos primordiais: produzir cidadania aos jovens e seus movimentos e contribuir para que os pesquisadores e interessados tenham acesso às fontes muitas das vezes raras e de difícil acesso. O conjunto de Documentos mais significativos estão nos 10 volumes do livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras, mas também nos livros sobre os PROTESTOS PÚBLICOS e a HISTÓRIA de instituições educacionais como a UFPE e a UFOP, incluindo documentos de 1930 adiante. São milhares de páginas com Documentos e/ou análises específicas sobre temas que convergem amplamente sobre a temática da juventude, da educação e dos movimentos sociais. Espera-se a merecida divulgação e o compartilhamento da nossa partilha intelectual. Também CONVIDAMOS aos interessados que nos sigam nas redes sociais como twitter e facebook, que são espaços importantíssimos para a divulgação de muitos dados preciosos sobre o cotidiano vivenciando das pesquisas, do contexto e da intervenção social das juventudes.
OTÁVIO LUIZ MACHADO
Coordenador da Coleção

 LIVROS SOBRE PERNAMBUCO
1) Livro Elementos Constitutivos para uma História da UFPE: Documentos Essenciais da Sua Trajetória, das Lutas Sociais, da Burocracia e da Repressão (1954-1986) [Volume 1]
2) Livro Documentos Fundamentais para a história dos jovens em Pernambuco
3) Livro Cenas Cotidianas da UFPE 2011-2012
4) Livro Múltiplas Juventudes: Protestos Públicos  e as Novas Estratégias de Mobilização Juvenil em Recife:
5) Livro Movimentos Estudantis, Formação Profissional e a Construção de um Projeto de País
6) Livro Aspectos da História dos jovens em Recife Pós Anos 1960
7) Livro Denis Bernardes: Lições, Exemplos e Ensinamentos
8) Protestos Públicos e outras cenas de cidadania, Recife, 2012
9) Livro Aspectos da Memória Política de Recife em 2012: Imagens de Momentos Marcantes

LIVROS SOBRE MINAS GERAIS

10) Livro Repúblicas de Ouro Preto e Mariana: Percursos e Perspectivas
11) Livro Repúblicas e entidades estudantis de Ouro Preto:
12) Livro Estudantes e Patrimônio Histórico de Ouro Preto
13) Livro Um Pequeno Guia sobre o Movimento Estudantil e o Golpe de 64 em Ouro Preto
14) Livro Estudantes, Universidades e a Questão Social em Ouro Preto
15) Livro A Fundação Gorceix  e o Contexto a Expansão na Escola de Minas nos Anos 1960: Primeiros Documentos
16) Livro Experiências e Vivências Saídas de Ouro Preto:
17) Livro O debate sobre Educação e Socieade na Escola de Minas de Ouro Preto:
18) Livro Escola de Minas de Ouro Preto: Memórias de seus Ex-Alunos:
19) Livro Repúblicas Estudantis de Ouro Preto e a Construção de um Projeto de País
20) Livro Escola de Minas, Nacionalismo e a Engenharia Nacional
21) Livro Repúblicas e Estudantes em Ouro Preto (Caderno 1)
22) Livro Repúblicas e Estudantes em Ouro Preto (Caderno 2)
23) Livro Repúblicas e Estudantes em Ouro Preto (Caderno 3)

GERAL/BRASIL

24) Livro Contributos para o pensamento das juventudes brasileiras

25) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 1)
26) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 2)
27) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 3)
28) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 4)
29) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 5)
30) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 6)
31) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 7)
32) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 8)
33) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 9)
34) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 10)

35) Livro Escritos para as Juventudes:








Livros para download: Coleção JUVENTUDE, DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA







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Educação e Cidadania (PROPEJEC)

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CARTA PARA: Caixa Postal 7828. CEP: 50.670-000. Recife-PE
FONES:  (81) 8762-5471

Editorial

A nossa coleção de livros foi pensada para atender dois objetivos primordiais: produzir cidadania aos jovens e seus movimentos e contribuir para que os pesquisadores e interessados tenham acesso às fontes muitas das vezes raras e de difícil acesso. O conjunto de Documentos mais significativos estão nos 10 volumes do livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras, mas também nos livros sobre os PROTESTOS PÚBLICOS e a HISTÓRIA de instituições educacionais como a UFPE e a UFOP, incluindo documentos de 1930 adiante. São milhares de páginas com Documentos e/ou análises específicas sobre temas que convergem amplamente sobre a temática da juventude, da educação e dos movimentos sociais. Espera-se a merecida divulgação e o compartilhamento da nossa partilha intelectual. Também CONVIDAMOS aos interessados que nos sigam nas redes sociais como twitter e facebook, que são espaços importantíssimos para a divulgação de muitos dados preciosos sobre o cotidiano vivenciando das pesquisas, do contexto e da intervenção social das juventudes.
OTÁVIO LUIZ MACHADO
Coordenador da Coleção

 LIVROS SOBRE PERNAMBUCO
1) Livro Elementos Constitutivos para uma História da UFPE: Documentos Essenciais da Sua Trajetória, das Lutas Sociais, da Burocracia e da Repressão (1954-1986) [Volume 1]
2) Livro Documentos Fundamentais para a história dos jovens em Pernambuco
3) Livro Cenas Cotidianas da UFPE 2011-2012
4) Livro Múltiplas Juventudes: Protestos Públicos  e as Novas Estratégias de Mobilização Juvenil em Recife:
5) Livro Movimentos Estudantis, Formação Profissional e a Construção de um Projeto de País
6) Livro Aspectos da História dos jovens em Recife Pós Anos 1960
7) Livro Denis Bernardes: Lições, Exemplos e Ensinamentos
8) Protestos Públicos e outras cenas de cidadania, Recife, 2012
9) Livro Aspectos da Memória Política de Recife em 2012: Imagens de Momentos Marcantes

LIVROS SOBRE MINAS GERAIS

10) Livro Repúblicas de Ouro Preto e Mariana: Percursos e Perspectivas
11) Livro Repúblicas e entidades estudantis de Ouro Preto:
12) Livro Estudantes e Patrimônio Histórico de Ouro Preto
13) Livro Um Pequeno Guia sobre o Movimento Estudantil e o Golpe de 64 em Ouro Preto
14) Livro Estudantes, Universidades e a Questão Social em Ouro Preto
15) Livro A Fundação Gorceix  e o Contexto a Expansão na Escola de Minas nos Anos 1960: Primeiros Documentos
16) Livro Experiências e Vivências Saídas de Ouro Preto:
17) Livro O debate sobre Educação e Socieade na Escola de Minas de Ouro Preto:
18) Livro Escola de Minas de Ouro Preto: Memórias de seus Ex-Alunos:
19) Livro Repúblicas Estudantis de Ouro Preto e a Construção de um Projeto de País
20) Livro Escola de Minas, Nacionalismo e a Engenharia Nacional
21) Livro Repúblicas e Estudantes em Ouro Preto (Caderno 1)
22) Livro Repúblicas e Estudantes em Ouro Preto (Caderno 2)
23) Livro Repúblicas e Estudantes em Ouro Preto (Caderno 3)

GERAL/BRASIL

24) Livro Contributos para o pensamento das juventudes brasileiras

25) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 1)
26) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 2)
27) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 3)
28) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 4)
29) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 5)
30) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 6)
31) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 7)
32) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 8)
33) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 9)
34) Livro Aspectos da História das Juventudes Brasileiras (VOLUME 10)

35) Livro Escritos para as Juventudes:








quinta-feira, 27 de junho de 2013

OPINIÃO: SOBRE O MODELO DE EDUARDO CAMPOS PARA REPRIMIR (Por Otávio Luiz Machado)

OPINIÃO: SOBRE O MODELO DE EDUARDO CAMPOS PARA REPRIMIR 
Por Otávio Luiz Machado

Quem acompanhou o desdobramento dos protestos ontem (26/06/2013) na cidade de Recife deve ficar se perguntando por qual motivo um governo tão bem avaliado pela população pernambucana precisa reprimir protestos de jovens que só querem pedir maior atenção para os problemas da cidade.
Em nota, quando o governador afirmou que teria atendido todas as reivindicações, o que se percebe de imediato na tentativa de neutralização do movimento é mais um ato de cinismo do próprio governador, que continua insistindo que no Estado de Pernambuco está tudo às mil maravilhas, que ele é competente e olha pra frente.
Como se olha pra frente, quando não se percebe que é no presente - e no que se apresenta como desafios atuais - que precisamos estar atentos para construir o futuro? E toda e qualquer manifestação que mostra outro caminho para o futuro precisa ser considerada. Não simplesmente reprimida. 
Mal viramos o ano para 2013 e víamos mais um órgão do governo de Pernambuco tratar o caso do assassinato de um estudante da UFPE vindo da periferia como um Zé Ninguém. Só com a mobilização dos seus amigos e colegas que foi possível tratar esse caso com o devido cuidado, pois o IML até então se recusava a aprofundar o seu trabalho de perícia.






No ano passado, também, quando o governador Eduardo Campos baixou uma medida para reduzir os protestos, o que se via mais uma vez foi a pouca disposição para o diálogo quando o povo ganha as ruas. Sua atenção parece estar focada nas reuniões de gabinete, nos acordos de bastidores e na tranquilidade do Palácio. Bem longe do calor das ruas e da alma guerreira de Pernambuco.





Nos protestos que aconteceram dias atrás nem a imprensa foi poupada, porque teve caso de repórter fotográfico que passou pelo constrangimento de apagar suas imagens por revelar ações ilegais da PM na abordagem aos manifestantes. 
Nos protestos de ontem mais uma vez aconteceram prisões de manifestantes de forma arbitrária, que ficaram horas na delegacia à espera de uma posição da autoridade responsável, inclusive sem o devido atendimento correto aos advogados que lá estavam para garantir a devida defesa jurídica dos presos. 
Até falta de identificação dos agentes do Estado fez parte desse momento, sem contar o envio de estudante para o presídio sem nenhuma possibilidade de defesa prévia, tendo como acusações fatos ridículos e desamparados de robustas provas. 
Com tudo isso não se pode falar em ambiente democrático em Recife, porque as autoridades fazem de tudo para abafar a voz do cidadão, tendo como único molde resquícios de uma ditadura civil-militar que a sociedade brasileira recusou anos atrás.
A liberdade dos presos durante os protestos é a única atitude digna esperada do governador de Eduardo Campos nesse dia de hoje.














E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br


sábado, 22 de junho de 2013

OPINIÃO: O pôrque dos atuais protestos no Brasil (Por Otávio Luiz Machado)

O pôrque dos atuais protestos no Brasil
Otávio Luiz Machado*

         Muitos me perguntam como foi possível de uma hora para outra a ocupação de espaços públicos em todo o País por milhares de pessoas sem que aparentemente houvesse um fato decisivo que o desencadeasse.
         É primeiro relatar que múltiplos protestos já aconteciam espalhados sem conseguir agregar muitos participantes país afora, embora com muita repercussão na imprensa e na sociedade, conforme nossas pesquisas já registraram com os protestos dos estudantes contra o aumento das passagens e em prol da melhoria dos serviços públicos, as marchas pela ampliação de direitos como a descriminalização da maconha, os direitos LGBT e das mulheres, a luta comunitária dos trabalhadores informais e dos atingidos pelas obras da copa e do reordenamento urbanos com participação popular, incluindo a resistência à privatização ou degradação das áreas de convívio coletivo e da denúncia do impacto das obras de mobilidade para a copa.
         Todos esses movimentos passaram a se conectar gerando uma consciência de solidariedade que apontava para a necessidade de uma nova cidadania e da radicalidade democrática, o que a bibliografia mais recente tem apontados nos mais diversos movimentos do Occupy, por exemplo.
         Nos meus livros MÚLTIPLAS JUVENTUDES: PROTESTOS PÚBLICOS E NOVAS ESTRATÉGIAS DE MOBILIZAÇÃO JUVENIL EM RECIFE e PROTESTOS PÚBLICOS E OUTRAS CENAS DE CIDADANIA busco trazer o cotidiano dos protestos em análises e imagens, o que corresponde ao que penso estar produzindo os atuais protestos. Podem ser analisados e baixados aqui:



         Os coletivos já mobilizados em períodos anteriores conseguiram atingir o centro da insatisfação popular nesse momento, que vem de um princípio de desesperança quanto aos rumos do País, conforme vimos no cenário de guerra urbana.
         É natural para o ser humano produzir uma reação descontrolada numa situação de indefesa, porque se os sindicatos, entidades oficiais que representam os principais movimentos sociais e o próprio setor público até então não fizeram muita coisa para a resolução dos problemas que nos afligem, foi a saída às ruas o único caminho diante dessa indefesa coletiva.
         A frase ímpar que representa essa posição foi a seguinte: “Desculpe o transtorno; estamos mudando o País”. Diante das exclusões que levam para longe do conjunto dos cidadãos uma condição de sujeitos de direito, a preocupação quanto ao futuro do País falou mais alto, porque a perda do poder aquisitivo com a volta da inflação e esse  pano de fundo de uma copa do mundo nada “rentável” para a maioria que somos nós exigia no mínimo uma resposta, uma reação, um grito.  
Se a denúncia está justamente no distanciamento dos anseios populares do poder público, a aproximação marcante de tantos movimentos e pessoas certamente vai diminuir esse fosso entre o Estado e a sociedade civil a partir de agora.
O pronunciamento da Presidenta Dilma passa um atestado de incompetência incrível, pois se o momento é de “ouvir as vozes democráticas que exigem mudanças” (Dilma em pronunciamento em 21 jun. 2013), por qual motivo isso não foi estimulado anteriormente? Os conselhos, as ouvidorias, o Parlamento, os movimentos dito organizados e a oposição que estão aí denunciando não tiveram força ou interesses suficientes para que muitas das nossas demandas se tornassem efetivos.
A Presidenta diz que quer ouvir as lideranças, mas para ouvir mais o que? Não é possível que não tenha ouvido até agora o que a população reclama em alto e bom som pelas ruas, praças e pontes do nosso País.  Não é possível que nenhum nível de governo conheça as demandas e os gargalos, cuja obrigação agora é de agir para o atendimento do que não tiveram capacidade nem interesse de realizar. É preciso diminuir a incompetência em órgãos públicos, como no comando da educação, da economia, da cultura, do planejamento, etc.
A Presidenta produziu uma verdadeira pérola no seu pronunciamento ao dizer que não se pode tolerar essa violência dos protestos, porque ela envergonha o Brasil. E a violência “comum” não envergonha o País? E a impunidade dos corruptos não igualmente envergonha o País?
Será nesse espaço entre o atendimento das demandas e o realinhamento do poder público em sintonia com a sociedade que se encontra o teste de fogo da democracia brasileira.
         Não foi só o sentimento de indefesa coletiva que produziu os protestos que tomaram o País, mas o sentimento de expropriação coletiva vindo com o diferencial para a copa em contraste com a indiferença com os serviços públicos essenciais voltados ao cidadão que vive no andar de baixo.
         As imagens do luxo dos estádios (Padrão Fifa) que abrigarão muitos poucos – contrastando com os prédios públicos – é o mais claro exemplo de que os políticos fazem as dívidas e manda a fatura para o povo pagar, configurando como mais uma incompetência dos órgãos públicos.
         Essa dívida enviada para o povo pagar, como compromete o presente e o futuro de todos nós que gerou esse sentimento de expropriação permanente e indefinida que levou uma multidão às ruas.
         As pessoas acuadas pela violência urbana, pelo enxugamento maior dos seus orçamentos e pelo cinismo dos governantes que não conseguem nem explicar como vão solucionar os problemas mais elementares do País, percebeu no contexto de uma pré-copa com esse torneio das Confederações que até agora nada do que foi prometido que  viria com a copa surgiu ou haverá possibilidade de acontecer.
A “internet” já vinha fazendo um trabalho de cidadania incrível, que engloba todas as faixas etárias, classes sociais e espaços geográficos diversos. Foi uma variável fundamental para a mobilização popular, pois a cada momento fica difícil não saber das coisas que acontecem e não se revoltar.
Mas foi o Movimento Passe-Livre, que não estava contaminado com esse ranço da política tradicional que deu credibilidade  e abertura de espaço para inúmeros grupos de movimentos juvenis até alcançar parcelas significativas da população. Que permitiu agrega diversos num movimento num só, principalmente de vários que nem se "bicavam" ideologicamente. 
Vimos mais uma vez os movimentos de juventudes emprestar o seu potencial para dar voz aos justos anseios  de toda uma sociedade. Nós que estamos aí produzindo cidadania aos jovens desde longa data contribuímos um pouquinho para a formação cidadã e a reflexão crítica de movimentos e jovens que foram à ruas novamente, o que os atuais protestos nos orgulham e nos dizem que precisamos fazer muito mais.


*É pesquisador, educador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

sexta-feira, 21 de junho de 2013

OPINIÃO: QUE EU DESORGANIZANDO, POSSO ME ORGANIZAR... (Por Sil Crisostomo)

QUE EU DESORGANIZANDO, POSSO ME ORGANIZAR...

“Maio, nosso maio” foi repleto de mobilizações em todo o Brasil e apesar das festas realizadas nos quatro cantos do mundo, houveram movimentos sociais e partidos políticos em meio às ruas, gritando e protestando: “As mãos pra cima, punhos erguidos, é dia 1º, dia de LUTA! Vem pra rua agora, conquistar direitos, é dia 1º, dia de LUTA!”. Pautando as bandeiras de lutas históricas, arduamente defendidas pelas organizações de esquerda, vamos cotidianamente defendendo com unhas e dentes a universalização dos direitos sociais conquistados.





Chega o mês de junho, culturalmente, é mês de festa no Nordeste. Cidades repletas de bandeirinhas coloridas, balões, fogueiras e povo na rua. Mas agora, além da festividade junina que está por vir, temos pessoas nas ruas, gritando, cantando e lutando pelos nossos direitos. Milhares de pessoas, em todo o Brasil, seguem em marcha, desde São Paulo à Belém, de Porto Alegre à Recife, formada por várias gerações e ideais. Nesse sentido, o momento histórico que estamos vivenciando, está repleto de contradições, permeado por avanços e retrocessos.
É inegável a beleza e força contagiante ao ver tantas pessoas juntas, inclusive, aquelas que acreditam na impossibilidade da mudança e que estão indo pela primeira vez a um ato de rua, lutando por melhorias e mudanças concretas, a exemplo do estopim com o aumento da passagem de ônibus e sua consequente revogação em SP. Isso mostra que, coletivamente, temos força, e que a luta deve ser nas ruas.
Entretanto, a heterogeneidade de reinvindicações e da formação do processo político em que se gesta às atuais mobilizações nos inquieta, tendo em vista as disputas dos projetos de sociedade: direita e esquerda. Há quem diga que somos uma única nação, e essa é uma das mais perigosas afirmações, negando a existência daqueles que, cotidianamente, exploram e dos que são explorados.
A direita vem se utilizando da justa indignação da classe trabalhadora para pautar lutas despolitizadas, como a CORRUPÇÃO. Isso não significa dizer que somos a favor da corrupção, ao contrário, também somos contra (toda a Esquerda), assim como FHC, Collor, Jarbas Vasconcelos e todos os políticos da direita. Sendo assim, esse discurso contra a PEC – 37 esvazia o conteúdo político de lutas reais e necessárias para a massa que está nas ruas, como o PASSE LIVRE para estudantes e pessoas desempregadas; TARIFA ÚNICA nas Regiões Metropolitanas, colocando abaixo a existência dos diferentes anéis/preços; REDUÇÃO das tarifas e do LUCRO das máfias do transporte público; dentre outras pautas, como um maior investimento do PIB na EDUCAÇÃO (10%) e SAÚDE PÚBLICA; a DEMOCRATIZAÇÃO dos meios de comunicação, pela JORNADA de 40h, etc.
O projeto da direita é viabilizado pelos grandes grupos empresariais, a exemplo da mídia com a Revista Veja e a Rede Globo, que apenas notificam os conflitos e brigas que estão acontecendo nesses protestos, além de incitar que toda essa mobilização seja apartidária, culminando na defesa do anti-partidarismo. A maioria dos que estão nas ruas e nas redes sociais está sendo manipulada, sem se dá conta da reprodução de toda a-criticidade propagandeada. Também é notória, a utilização de outros mecanismos pela direita, inclusive, possuindo uma simbologia positiva entre vários manifestantes, como o Anonymous.
Diante dessa conjuntura, precisamos estar atentos a tudo que vemos, lemos, ouvimos, precisamos desconfiar do óbvio. O medo de ser “massa de manobra” dos partidos de esquerda está fazendo com que a população, ainda sim, seja manobrada. Precisamos da UNIDADE entre as forças que sempre pautaram mudanças contra a exploração vivenciadas e do entendimento do POVO sobre o atual cenário.
As bandeiras de lutas defendidas durante décadas pela Esquerda são as mesmas do POVO BRASILEIRO, dos que acordam às 4h/5h da matina para irem trabalhar, que se utiliza de vários ônibus ao longo do dia, para ir e voltar da labuta diária, os que destinam boa parte do seu salário em um transporte público caro e sem qualidade. Nessas manifestações em todo o Brasil estão presentes, os que sofrem e lutam diariamente. Há uma efervescente indignação ao descaso vivido e isso significa uma CHAMA DE ESPERANÇA.
Nessa BATALHA DE IDEIAS, a luta se concretiza nas ruas, ultrapassando o discurso de “massa alienada” e politizando os espaços, em um sentido de conscientização coletiva e emancipatória. Devemos vencer o ufanismo da pátria amada, ressignificando nossa “ordem e progresso” em prol de um projeto popular, DO e PARA o povo. Superando, também, o derrotismo e generalizações, pois “nada deve parecer impossível de mudar”, como já disse Brecht. O momento é de termos muita mística e agitação nessa disputa de mentes e corações. Sabendo que desorganizando, podemos nos organizar, além da certeza de que sempre é preciso fazer muito mais.
Silvana Crisostomo – militante do Levante Popular da Juventude
“Eu acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...”
“E Vamos à Luta” - Gonzaguinha