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quinta-feira, 18 de julho de 2013
Livros para download: Coleção JUVENTUDE, DEMOCRACIA, DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
quinta-feira, 27 de junho de 2013
OPINIÃO: SOBRE O MODELO DE EDUARDO CAMPOS PARA REPRIMIR (Por Otávio Luiz Machado)
OPINIÃO: SOBRE O MODELO DE EDUARDO CAMPOS PARA REPRIMIR
Por Otávio Luiz Machado
No ano passado, também, quando o governador Eduardo Campos baixou uma medida para reduzir os protestos, o que se via mais uma vez foi a pouca disposição para o diálogo quando o povo ganha as ruas. Sua atenção parece estar focada nas reuniões de gabinete, nos acordos de bastidores e na tranquilidade do Palácio. Bem longe do calor das ruas e da alma guerreira de Pernambuco.
E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br
Por Otávio Luiz Machado
Quem acompanhou o desdobramento dos protestos ontem (26/06/2013) na cidade de Recife deve ficar se perguntando por qual motivo um governo tão bem avaliado pela população pernambucana precisa reprimir protestos de jovens que só querem pedir maior atenção para os problemas da cidade.
Em nota, quando o governador afirmou que teria atendido todas as reivindicações, o que se percebe de imediato na tentativa de neutralização do movimento é mais um ato de cinismo do próprio governador, que continua insistindo que no Estado de Pernambuco está tudo às mil maravilhas, que ele é competente e olha pra frente.
Como se olha pra frente, quando não se percebe que é no presente - e no que se apresenta como desafios atuais - que precisamos estar atentos para construir o futuro? E toda e qualquer manifestação que mostra outro caminho para o futuro precisa ser considerada. Não simplesmente reprimida.
Mal viramos o ano para 2013 e víamos mais um órgão do governo de Pernambuco tratar o caso do assassinato de um estudante da UFPE vindo da periferia como um Zé Ninguém. Só com a mobilização dos seus amigos e colegas que foi possível tratar esse caso com o devido cuidado, pois o IML até então se recusava a aprofundar o seu trabalho de perícia.
No ano passado, também, quando o governador Eduardo Campos baixou uma medida para reduzir os protestos, o que se via mais uma vez foi a pouca disposição para o diálogo quando o povo ganha as ruas. Sua atenção parece estar focada nas reuniões de gabinete, nos acordos de bastidores e na tranquilidade do Palácio. Bem longe do calor das ruas e da alma guerreira de Pernambuco.
Nos protestos que aconteceram dias atrás nem a imprensa foi poupada, porque teve caso de repórter fotográfico que passou pelo constrangimento de apagar suas imagens por revelar ações ilegais da PM na abordagem aos manifestantes.
Nos protestos de ontem mais uma vez aconteceram prisões de manifestantes de forma arbitrária, que ficaram horas na delegacia à espera de uma posição da autoridade responsável, inclusive sem o devido atendimento correto aos advogados que lá estavam para garantir a devida defesa jurídica dos presos.
Até falta de identificação dos agentes do Estado fez parte desse momento, sem contar o envio de estudante para o presídio sem nenhuma possibilidade de defesa prévia, tendo como acusações fatos ridículos e desamparados de robustas provas.
Com tudo isso não se pode falar em ambiente democrático em Recife, porque as autoridades fazem de tudo para abafar a voz do cidadão, tendo como único molde resquícios de uma ditadura civil-militar que a sociedade brasileira recusou anos atrás.
A liberdade dos presos durante os protestos é a única atitude digna esperada do governador de Eduardo Campos nesse dia de hoje.
E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br
sábado, 22 de junho de 2013
OPINIÃO: O pôrque dos atuais protestos no Brasil (Por Otávio Luiz Machado)
O pôrque dos atuais protestos no Brasil
Otávio Luiz Machado*
Muitos
me perguntam como foi possível de uma hora para outra a ocupação de espaços
públicos em todo o País por milhares de pessoas sem que aparentemente houvesse
um fato decisivo que o desencadeasse.
É
primeiro relatar que múltiplos protestos já aconteciam espalhados sem conseguir
agregar muitos participantes país afora, embora com muita repercussão na
imprensa e na sociedade, conforme nossas pesquisas já registraram com os protestos dos estudantes
contra o aumento das passagens e em prol da melhoria dos serviços públicos, as
marchas pela ampliação de direitos como a descriminalização da maconha, os
direitos LGBT e das mulheres, a luta comunitária dos trabalhadores informais e
dos atingidos pelas obras da copa e do reordenamento urbanos com participação
popular, incluindo a resistência à privatização ou degradação das áreas de
convívio coletivo e da denúncia do impacto das obras de mobilidade para a copa.
Todos
esses movimentos passaram a se conectar gerando uma consciência de
solidariedade que apontava para a necessidade de uma nova cidadania e da
radicalidade democrática, o que a bibliografia mais recente tem apontados nos
mais diversos movimentos do Occupy, por exemplo.
Nos
meus livros MÚLTIPLAS JUVENTUDES: PROTESTOS PÚBLICOS E NOVAS ESTRATÉGIAS DE MOBILIZAÇÃO
JUVENIL EM RECIFE e PROTESTOS PÚBLICOS E OUTRAS CENAS DE CIDADANIA busco trazer
o cotidiano dos protestos em análises e imagens, o que corresponde ao que penso
estar produzindo os atuais protestos. Podem ser analisados e baixados aqui:
Os
coletivos já mobilizados em períodos anteriores conseguiram atingir o centro da
insatisfação popular nesse momento, que vem de um princípio de desesperança
quanto aos rumos do País, conforme vimos no cenário de guerra urbana.
É
natural para o ser humano produzir uma reação descontrolada numa situação de
indefesa, porque se os sindicatos, entidades oficiais que representam os
principais movimentos sociais e o próprio setor público até então não fizeram
muita coisa para a resolução dos problemas que nos afligem, foi a saída às ruas
o único caminho diante dessa indefesa coletiva.
A
frase ímpar que representa essa posição foi a seguinte: “Desculpe o transtorno;
estamos mudando o País”. Diante das exclusões que levam para longe do conjunto
dos cidadãos uma condição de sujeitos de direito, a preocupação quanto ao
futuro do País falou mais alto, porque a perda do poder aquisitivo com a volta
da inflação e esse pano de fundo de uma
copa do mundo nada “rentável” para a maioria que somos nós exigia no mínimo uma
resposta, uma reação, um grito.
Se a
denúncia está justamente no distanciamento dos anseios populares do poder
público, a aproximação marcante de tantos movimentos e pessoas certamente vai
diminuir esse fosso entre o Estado e a sociedade civil a partir de agora.
O
pronunciamento da Presidenta Dilma passa um atestado de incompetência incrível,
pois se o momento é de “ouvir as vozes democráticas que exigem mudanças” (Dilma
em pronunciamento em 21 jun. 2013), por qual motivo isso não foi estimulado
anteriormente? Os conselhos, as ouvidorias, o Parlamento, os movimentos dito
organizados e a oposição que estão aí denunciando não tiveram força ou
interesses suficientes para que muitas das nossas demandas se tornassem
efetivos.
A
Presidenta diz que quer ouvir as lideranças, mas para ouvir mais o que? Não é
possível que não tenha ouvido até agora o que a população reclama em alto e bom
som pelas ruas, praças e pontes do nosso País. Não é possível que nenhum nível de governo conheça
as demandas e os gargalos, cuja obrigação agora é de agir para o atendimento do
que não tiveram capacidade nem interesse de realizar. É preciso diminuir a
incompetência em órgãos públicos, como no comando da educação, da economia, da
cultura, do planejamento, etc.
A
Presidenta produziu uma verdadeira pérola no seu pronunciamento ao dizer que
não se pode tolerar essa violência dos protestos, porque ela envergonha o
Brasil. E a violência “comum” não envergonha o País? E a impunidade dos
corruptos não igualmente envergonha o País?
Será
nesse espaço entre o atendimento das demandas e o realinhamento do poder
público em sintonia com a sociedade que se encontra o teste de fogo da
democracia brasileira.
Não
foi só o sentimento de indefesa coletiva que produziu os protestos que tomaram
o País, mas o sentimento de expropriação coletiva vindo com o diferencial para
a copa em contraste com a indiferença com os serviços públicos essenciais
voltados ao cidadão que vive no andar de baixo.
As
imagens do luxo dos estádios (Padrão Fifa) que abrigarão muitos poucos – contrastando
com os prédios públicos – é o mais claro exemplo de que os políticos fazem as
dívidas e manda a fatura para o povo pagar, configurando como mais uma incompetência
dos órgãos públicos.
Essa
dívida enviada para o povo pagar, como compromete o presente e o futuro de
todos nós que gerou esse sentimento de expropriação permanente e indefinida que
levou uma multidão às ruas.
As
pessoas acuadas pela violência urbana, pelo enxugamento maior dos seus
orçamentos e pelo cinismo dos governantes que não conseguem nem explicar como
vão solucionar os problemas mais elementares do País, percebeu no contexto de
uma pré-copa com esse torneio das Confederações que até agora nada do que foi
prometido que viria com a copa surgiu ou
haverá possibilidade de acontecer.
A
“internet” já vinha fazendo um trabalho de cidadania incrível, que engloba
todas as faixas etárias, classes sociais e espaços geográficos diversos. Foi
uma variável fundamental para a mobilização popular, pois a cada momento fica
difícil não saber das coisas que acontecem e não se revoltar.
Mas foi
o Movimento Passe-Livre, que não estava contaminado com esse ranço da política
tradicional que deu credibilidade e
abertura de espaço para inúmeros grupos de movimentos juvenis até alcançar
parcelas significativas da população. Que permitiu agrega diversos num movimento num só, principalmente de vários que nem se "bicavam" ideologicamente.
Vimos
mais uma vez os movimentos de juventudes emprestar o seu potencial para dar voz
aos justos anseios de toda uma
sociedade. Nós que estamos aí produzindo cidadania aos jovens desde longa data
contribuímos um pouquinho para a formação cidadã e a reflexão crítica de
movimentos e jovens que foram à ruas novamente, o que os atuais protestos nos
orgulham e nos dizem que precisamos fazer muito mais.
*É
pesquisador, educador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br
sexta-feira, 21 de junho de 2013
OPINIÃO: QUE EU DESORGANIZANDO, POSSO ME ORGANIZAR... (Por Sil Crisostomo)
QUE EU DESORGANIZANDO, POSSO ME ORGANIZAR...
“Maio, nosso maio” foi repleto de mobilizações em todo o Brasil e apesar das festas realizadas nos quatro cantos do mundo, houveram movimentos sociais e partidos políticos em meio às ruas, gritando e protestando: “As mãos pra cima, punhos erguidos, é dia 1º, dia de LUTA! Vem pra rua agora, conquistar direitos, é dia 1º, dia de LUTA!”. Pautando as bandeiras de lutas históricas, arduamente defendidas pelas organizações de esquerda, vamos cotidianamente defendendo com unhas e dentes a universalização dos direitos sociais conquistados.
Chega o mês de junho, culturalmente, é mês de festa no Nordeste. Cidades repletas de bandeirinhas coloridas, balões, fogueiras e povo na rua. Mas agora, além da festividade junina que está por vir, temos pessoas nas ruas, gritando, cantando e lutando pelos nossos direitos. Milhares de pessoas, em todo o Brasil, seguem em marcha, desde São Paulo à Belém, de Porto Alegre à Recife, formada por várias gerações e ideais. Nesse sentido, o momento histórico que estamos vivenciando, está repleto de contradições, permeado por avanços e retrocessos.
É inegável a beleza e força contagiante ao ver tantas pessoas juntas, inclusive, aquelas que acreditam na impossibilidade da mudança e que estão indo pela primeira vez a um ato de rua, lutando por melhorias e mudanças concretas, a exemplo do estopim com o aumento da passagem de ônibus e sua consequente revogação em SP. Isso mostra que, coletivamente, temos força, e que a luta deve ser nas ruas.
Entretanto, a heterogeneidade de reinvindicações e da formação do processo político em que se gesta às atuais mobilizações nos inquieta, tendo em vista as disputas dos projetos de sociedade: direita e esquerda. Há quem diga que somos uma única nação, e essa é uma das mais perigosas afirmações, negando a existência daqueles que, cotidianamente, exploram e dos que são explorados.
A direita vem se utilizando da justa indignação da classe trabalhadora para pautar lutas despolitizadas, como a CORRUPÇÃO. Isso não significa dizer que somos a favor da corrupção, ao contrário, também somos contra (toda a Esquerda), assim como FHC, Collor, Jarbas Vasconcelos e todos os políticos da direita. Sendo assim, esse discurso contra a PEC – 37 esvazia o conteúdo político de lutas reais e necessárias para a massa que está nas ruas, como o PASSE LIVRE para estudantes e pessoas desempregadas; TARIFA ÚNICA nas Regiões Metropolitanas, colocando abaixo a existência dos diferentes anéis/preços; REDUÇÃO das tarifas e do LUCRO das máfias do transporte público; dentre outras pautas, como um maior investimento do PIB na EDUCAÇÃO (10%) e SAÚDE PÚBLICA; a DEMOCRATIZAÇÃO dos meios de comunicação, pela JORNADA de 40h, etc.
O projeto da direita é viabilizado pelos grandes grupos empresariais, a exemplo da mídia com a Revista Veja e a Rede Globo, que apenas notificam os conflitos e brigas que estão acontecendo nesses protestos, além de incitar que toda essa mobilização seja apartidária, culminando na defesa do anti-partidarismo. A maioria dos que estão nas ruas e nas redes sociais está sendo manipulada, sem se dá conta da reprodução de toda a-criticidade propagandeada. Também é notória, a utilização de outros mecanismos pela direita, inclusive, possuindo uma simbologia positiva entre vários manifestantes, como o Anonymous.
Diante dessa conjuntura, precisamos estar atentos a tudo que vemos, lemos, ouvimos, precisamos desconfiar do óbvio. O medo de ser “massa de manobra” dos partidos de esquerda está fazendo com que a população, ainda sim, seja manobrada. Precisamos da UNIDADE entre as forças que sempre pautaram mudanças contra a exploração vivenciadas e do entendimento do POVO sobre o atual cenário.
As bandeiras de lutas defendidas durante décadas pela Esquerda são as mesmas do POVO BRASILEIRO, dos que acordam às 4h/5h da matina para irem trabalhar, que se utiliza de vários ônibus ao longo do dia, para ir e voltar da labuta diária, os que destinam boa parte do seu salário em um transporte público caro e sem qualidade. Nessas manifestações em todo o Brasil estão presentes, os que sofrem e lutam diariamente. Há uma efervescente indignação ao descaso vivido e isso significa uma CHAMA DE ESPERANÇA.
Nessa BATALHA DE IDEIAS, a luta se concretiza nas ruas, ultrapassando o discurso de “massa alienada” e politizando os espaços, em um sentido de conscientização coletiva e emancipatória. Devemos vencer o ufanismo da pátria amada, ressignificando nossa “ordem e progresso” em prol de um projeto popular, DO e PARA o povo. Superando, também, o derrotismo e generalizações, pois “nada deve parecer impossível de mudar”, como já disse Brecht. O momento é de termos muita mística e agitação nessa disputa de mentes e corações. Sabendo que desorganizando, podemos nos organizar, além da certeza de que sempre é preciso fazer muito mais.
Chega o mês de junho, culturalmente, é mês de festa no Nordeste. Cidades repletas de bandeirinhas coloridas, balões, fogueiras e povo na rua. Mas agora, além da festividade junina que está por vir, temos pessoas nas ruas, gritando, cantando e lutando pelos nossos direitos. Milhares de pessoas, em todo o Brasil, seguem em marcha, desde São Paulo à Belém, de Porto Alegre à Recife, formada por várias gerações e ideais. Nesse sentido, o momento histórico que estamos vivenciando, está repleto de contradições, permeado por avanços e retrocessos.
É inegável a beleza e força contagiante ao ver tantas pessoas juntas, inclusive, aquelas que acreditam na impossibilidade da mudança e que estão indo pela primeira vez a um ato de rua, lutando por melhorias e mudanças concretas, a exemplo do estopim com o aumento da passagem de ônibus e sua consequente revogação em SP. Isso mostra que, coletivamente, temos força, e que a luta deve ser nas ruas.
Entretanto, a heterogeneidade de reinvindicações e da formação do processo político em que se gesta às atuais mobilizações nos inquieta, tendo em vista as disputas dos projetos de sociedade: direita e esquerda. Há quem diga que somos uma única nação, e essa é uma das mais perigosas afirmações, negando a existência daqueles que, cotidianamente, exploram e dos que são explorados.
A direita vem se utilizando da justa indignação da classe trabalhadora para pautar lutas despolitizadas, como a CORRUPÇÃO. Isso não significa dizer que somos a favor da corrupção, ao contrário, também somos contra (toda a Esquerda), assim como FHC, Collor, Jarbas Vasconcelos e todos os políticos da direita. Sendo assim, esse discurso contra a PEC – 37 esvazia o conteúdo político de lutas reais e necessárias para a massa que está nas ruas, como o PASSE LIVRE para estudantes e pessoas desempregadas; TARIFA ÚNICA nas Regiões Metropolitanas, colocando abaixo a existência dos diferentes anéis/preços; REDUÇÃO das tarifas e do LUCRO das máfias do transporte público; dentre outras pautas, como um maior investimento do PIB na EDUCAÇÃO (10%) e SAÚDE PÚBLICA; a DEMOCRATIZAÇÃO dos meios de comunicação, pela JORNADA de 40h, etc.
O projeto da direita é viabilizado pelos grandes grupos empresariais, a exemplo da mídia com a Revista Veja e a Rede Globo, que apenas notificam os conflitos e brigas que estão acontecendo nesses protestos, além de incitar que toda essa mobilização seja apartidária, culminando na defesa do anti-partidarismo. A maioria dos que estão nas ruas e nas redes sociais está sendo manipulada, sem se dá conta da reprodução de toda a-criticidade propagandeada. Também é notória, a utilização de outros mecanismos pela direita, inclusive, possuindo uma simbologia positiva entre vários manifestantes, como o Anonymous.
Diante dessa conjuntura, precisamos estar atentos a tudo que vemos, lemos, ouvimos, precisamos desconfiar do óbvio. O medo de ser “massa de manobra” dos partidos de esquerda está fazendo com que a população, ainda sim, seja manobrada. Precisamos da UNIDADE entre as forças que sempre pautaram mudanças contra a exploração vivenciadas e do entendimento do POVO sobre o atual cenário.
As bandeiras de lutas defendidas durante décadas pela Esquerda são as mesmas do POVO BRASILEIRO, dos que acordam às 4h/5h da matina para irem trabalhar, que se utiliza de vários ônibus ao longo do dia, para ir e voltar da labuta diária, os que destinam boa parte do seu salário em um transporte público caro e sem qualidade. Nessas manifestações em todo o Brasil estão presentes, os que sofrem e lutam diariamente. Há uma efervescente indignação ao descaso vivido e isso significa uma CHAMA DE ESPERANÇA.
Nessa BATALHA DE IDEIAS, a luta se concretiza nas ruas, ultrapassando o discurso de “massa alienada” e politizando os espaços, em um sentido de conscientização coletiva e emancipatória. Devemos vencer o ufanismo da pátria amada, ressignificando nossa “ordem e progresso” em prol de um projeto popular, DO e PARA o povo. Superando, também, o derrotismo e generalizações, pois “nada deve parecer impossível de mudar”, como já disse Brecht. O momento é de termos muita mística e agitação nessa disputa de mentes e corações. Sabendo que desorganizando, podemos nos organizar, além da certeza de que sempre é preciso fazer muito mais.
Silvana Crisostomo – militante do Levante Popular da Juventude
“Eu acredito
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...”
“E Vamos à Luta” - Gonzaguinha
É na rapaziada
Que segue em frente
E segura o rojão
Eu ponho fé
É na fé da moçada
Que não foge da fera
E enfrenta o leão
Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada...”
“E Vamos à Luta” - Gonzaguinha
OPINIÃO: A hora é de Eduardo Campos? Ou a repercussão eleitoral dos protestos pelo Brasil afora
A hora é de
Eduardo Campos? Ou a repercussão eleitoral dos protestos pelo Brasil afora
Otávio Luiz Machado*
É fato que tivemos a primeira vez em que
as redes sociais tiveram um grau de utilização intensa com muitos resultados
positivos no Brasil, tanto na mobilização para os protestos de indignação de
quase todo o povo, como na difusão imediata de informações, imagens e opiniões
praticamente disponíveis em tempo real.
A repercussão eleitoral dos protestos já
emitem fortes sinais de que poderemos ter nas próximas eleições presidenciais uma
mudança significativa das chances de quem aparentemente poderá vencer o pleito
com mais facilidade, cujo semelhante resultado foi percebido em diversos países
do globo em momentos recentes.
O processo civilizatório do País entrou
nessa semana num estágio mais avançado, pois aquilo que chamamos de brasilidade
(a condição de sermos brasileiros) ganhou novos sentidos. Numa situação em que
no momento da seleção brasileira, quando pararia o Brasil, o que se viu foi um
movimento popular chamar mais atenção de todo o País, invertendo a lógica
perversa que nos persegue: País do futebol, do jeitinho brasileiro, do marasmo
e da indolência do povo eternamente enraizadas na nossa cultura.
O País não será o mesmo ao terminarmos
essa semana. Só tínhamos condições de cantar em coro o hino nacional quando o
time do Brasil entrava em campo e isso era televisionado em rede nacional, mas
não em tantos espaços públicos por todo o país num mesmo dia e em locais que
não possuem um formato de uma construção arredondada, com uma estrutura de
arquibancadas e cujo atrativo são pessoas correndo atrás de uma bola.
Não é exagerado dizer que foram os
supostamente vândalos – reprimidos preventivamente pela PM de São Paulo sem
nenhuma ação inicial por parte deles – que mudaram a cara do País, nem tampouco
dizer que em poucos dias conseguimos fazer o que as políticas públicas de
segurança até hoje não conseguiram: o início da humanização da polícia. A cena
de policiais utilizando apetrechos brancos chamando a atenção para o diálogo e a
melhor convivência humana e distribuindo rosas ou panfletos pedindo paz em
diversas cidades do País foi marcante, como assim o foi o impacto das notícias
da imprensa que aparentemente apontam o começo do fim do divórcio da maioria da
imprensa com os movimentos reivindicatórios.
Era difícil prever que tantos
estigmatizados como vândalos ou os ditos radicais espalhados pelo País– os que
se arvoraram no enfrentamento com a PM ou para o quebra-quebra – puderam
detonar aquilo que faltava muito entre nós: a vergonha na cara. Que nos levava
ao conformismo e ao silêncio.
Nesse contexto não é desprezível o
argumento de que a hora de Eduardo Campos é agora, o que significa dizer que a
conjuntura política mais uma vez torna-se favorável a quem vem investindo muita
propaganda para passar a imagem de que ele é parte de uma gestão pública que
faz acontecer com benefícios mais eficazes à população, o que tem sido a
principal reivindicação dos milhões de brasileiros que foram às ruas no dia de
ontem (20 de junho de 2013) denunciar publicamente o desperdício e a
incompetência do poder público nas suas mais diversas instâncias pelo Brasil.
O que tivemos no Brasil nessa semana
faz parte de um acontecimento histórico singular. Nunca tantos movimentos
organizados sem uma estrutura oficial levaram inúmeras pessoas para ruas ao
mesmo tempo (e nas mais diversas partes do País). Nem tiveram uma adesão
popular recorde num curto intervalo desde sua deflagração, o que fez com que sindicatos
e entidades estudantis constrangidos aderissem irrestritamente e imediatamente.
O que se vive com os protestos é uma
variável fundamental que impactará nas eleições de 2014. Algo que não pode ser
desprezado. Tentarei puxar um fio para que possa leva-lo à situação de um único
pré-candidato, considerando que sempre acompanhamos um analista encasulado
usando espaços preciosos como blogs (e até em jornais impressos) de forma
obsessiva, repetida ou sistemática para “bater” em Eduardo Campos, dando seu
“parecer” como se Eduardo não tivesse condições e nem merecesse disputar a
presidência da República. Se é uma “análise” geralmente vinda em textos
claramente escritos com muita pressa, que coloca argumentos vindos de como ele
quer que as coisas sejam sem nenhuma base de reflexão que traga uma
cientificidade mínima, também é do mesmo cidadão que anda choramingando por aí
que não encontra espaço na imprensa para colocar críticas contra Eduardo
Campos, se sentindo abafado, censurado, podado.
É preciso ter responsabilidade ao se
escrever um texto, pois o único que devemos satisfação nesse momento é o
leitor, que merece dados minimamente precisos. Um texto divulgado não merece
servir única e exclusivamente como criação de plateia usada para aplaudir e
encher a bola do autor. Nem sempre conseguimos atender a todos os requisitos
necessários para a produção do texto ou conseguimos suprir a maioria das
expectativas daqueles que nos lê. O que vale mesmo é o debate aprofundado e
sincero em cima do que escrevemos.
É preciso pelo menos tentar alcançar um
equilíbrio naquilo que tentamos passar aos que nos lêem, principalmente num
momento em que ainda não estão muito claras as nossas impressões, considerando
que vivenciamos os fatos na sua plena e conturbada ocorrência. Mas eu me
arrisco nesse momento a correlacionar tudo que vivenciamos com as reais
possibilidades de uma candidatura Eduardo Campos à presidência.
Se calcularmos que cerca de 5 ou 10
milhões de brasileiros e brasileiras (fiz um cálculo a partir dos informes que
recebi de todo o Brasil vindos dos próprios movimentos) ganharam os mais
diversos espaços públicos para protestar justamente pelo melhor oferecimento de
serviços públicos (transporte, educação, saúde, principalmente) e a melhor
aplicação dos recursos públicos, é real que 5% da população brasileira esteve
presencialmente num ato de profunda indignação contra o sistema político
brasileiro, mas que afeta diferencialmente mais uns do que outros no dia de
ontem (21/06/2013).
Se ainda consideramos que parcelas
significativas dos 95% que não estiveram ligados diretamente nos protestos
tiveram acesso às horas e horas da transmissão ao vivo pela Rede Globo ou redes
sociais mostrando a indignação por todo o País, o que se vê é que certamente
eles foram contemplados, assim mais uma vez afetando diferencialmente mais uns
do que outros que ocupam cargos públicos a frente de municípios, Estados e o
próprio governo federal.
O prefeito mais prejudicado nisso tudo
é sem dúvida alguma o Fernando Haddad (de São Paulo), que abaixou a passagem
depois de afirmar diversas vezes que não abaixaria de jeito algum. Que
realmente nem chegou a dialogar com os participantes dos protestos antes de dar
o seu “não”, tendo o seu “sim” referendado só quando o movimento se tornava
vitorioso nas ruas.
O governador mais prejudicado é o do
Rio de Janeiro, que mesmo tendo recuado no valor da passagem (em parceria com o
prefeito Eduardo Paes), também não está oferecendo nenhuma perspectiva da
melhoria do oferecimento da qualidade do serviço público (que é péssimo e caro
por lá), sem contar que a recente privatização do Maracanã (após os
investimentos vultosos do poder público) vai de desencontro ao que está sendo
reivindicado em todo o País. O governador só fez a já conhecida equação:
socializar os prejuízos com a população simultaneamente com o patrocínio da
apropriação privada dos lucros
A soma de toda essa indignação atinge
em cheio o governo federal, cuja mandatária não está correspondendo à imagem da
competente gestora público construída desde o governo Lula, da figura intransigente
com a corrupção que aparecia no início do atual mandato presidencial ou da
gestora firme para a contenção das despesas pública. A figura acuada da
Presidenta após a tríplice rajada de vaias na abertura da Copa das
Confederações mais uma vez foi percebida pela maioria absoluta dos brasileiros,
ainda.
Se em última instância o governo Dilma
(e do PT) herda toda a indignação dos protestos, no caso de Pernambuco não
existe grande associação direta dos temas reivindicados ao seu governo mesmo
após a ocupação de cem mil pessoas nas ruas de Recife.
A figura de Eduardo Campos está numa
zona de conforto extraordinária. Ele pode ser de situação e oposição quando lhe
convém, não sofre muitos arranhões nesse momento de comoção nacional, recicla
práticas da velha política transformando-as em algo novíssimi e ainda
capitaliza nisso tudo com a imagem do gestor que “entrega” com mais qualidade (e
com menos tempo) o que a população pernambucana aguarda.
No tema do momento Eduardo também possui
muito a seu favor. Se inicialmente o discurso do governo federal de quem iria
financiar a copa seria a iniciativa privada através de parcerias
público-privado, o que vimos é o financiamento público acima algumas vezes do
valor inicialmente traçado, com as benesses federais, seja através de
financiamentos de pai para filho para as empresas, seja através de recursos e
infra-estrutura para o luxuoso desfrute dos camarotes “especiais” para
autoridades e convidados. Algo que ainda só servirá até a entrega do troféu ao
time ganhador na final da Copa de 2014, ficando sem grande uso no dia seguinte.
Se o governador escolheu um local
relativamente longe (mas com inúmeras possibilidades de novas construções no
seu entorno) como São Lourenço da Mata para o estádio de Pernambuco (traçando
uma estratégia para que depois da Copa o estádio e seu entorno fosse utilizado
em parte para a Universidade de Pernambuco e empreendimentos imobiliários), já
mostra aí um diferencial que será muito capitalizado caso venha a ser candidato
a presidente da República, pois vai dar a impressão do financiamento privado
com ganho para o setor público, em suma, um negócio vantajoso para o Estado de
Pernambuco.
A privatização a rodo de Dilma em
aeroportos, rodovias e portos no segundo semestre de 2013 para elevar o
superávit primário vai gerar um clima de que para se ter um serviço que deveria
ser oferecido pelo poder público o cidadão tem que tirar do bolso para pagar.
Se quer andar numa rodovia com o mínimo de segurança, só pagando pedágio para
as concessionárias; se quer um atendimento melhor no serviço de saúde, só
pagando um bom plano de saúde; se quer ter mais conforto nos aeroportos, só
pagando taxas mais elevadas.
É incrível os investimentos privados
atraídos pelo governador de Pernambuco e a sua defesa na continuidade da
estatização do Porto de Suape, contribuindo para se passar a imagem de que ele
consegue o possível e o desejado: o privado deve entrar em áreas que
efetivamente possam produzir e não se aproveitar do público para se beneficiar
pura e simplesmente.
Na área econômica, com a inflação
descontrolada, o baixo crescimento econômico e a redução do nível de empregos,
o que se verá imediatamente é a queda das condições objetivas para uma disputa
com grandes possibilidades de vitória por parte da Presidenta Dilma, o que mais
uma vez beneficia o governador Eduardo Campos.
Com a possibilidade do governo Dilma entrar
em frangalhos nos próximos capítulos, o desembarque do governador Eduardo
Campos da aliança de sustentação oficial poderá até ser antecipado para que não
seja respingada essa situação ao seu nome, quando também antecipará a sucessão
presidencial ainda mais, alimentando a dificuldade de alianças em torno de
Dilma e patrocinando mais deserções na tão instável base aliada.
Por duas vezes Eduardo Campos aproveitou
as dificuldades do PT para cacifar candidaturas do seu PSB: a eleição para
governador de 2006 (quando ele próprio foi o candidato) e a eleição para a
Prefeitura do Recife em 2012 (com a candidatura de Geraldo Júlio). Em 2006 o
candidato do PT foi bombardeado pelo suposto envolvimento na chamada Máfia dos
Vampiros. Em 2012 rompeu a aliança com o PT e elegeu seu candidato após as
conturbadas prévias petistas.
Na terceira oportunidade que aparece no
horizonte de Eduardo Campos para se ter o PT como a variável importante para a
sua vitória mesmo que indiretamente, a situação atual lhe favorece. Quem aposta
nele?
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A preocupação do sistema é com a solidariedade que os protestos despertam (Por Otávio Luiz Machado)
A preocupação do
sistema é com a solidariedade que os protestos despertam
Otávio
Luiz Machado*
O dia 17 de junho de 2013 marcou o
Brasil não somente pelas cenas de parcelas significativas de cidadãos tomando
as ruas reivindicando direitos e fazendo muito barulho. Mas pelo significado
que tais protestos impingem ao cenário urbano complexo, na contraposição direta
ao discurso oficial dos governantes e na mobilização de parcelas significativas
de concidadãos que até então se encontravam apáticos, desprotegidos,
desiludidos e calados.
O que inicialmente focava no preço
absurdo das passagens de onibus ganhou
novas reivindicações e pautas ampliadas, como a não-aprovação da PEC-37 (que
limita o trabalho do Ministério Público), o não-uso de recursos federais para o
financiamento da Copa, o aumento de verbas públicas para as áreas de educação e
saúde, o fim da violência contra os movimentos sociais, para o direito de
protestar sem violência, etc
Em Recife, na Avenida Conde da Boa
Vista e em outras vias, por exemplo, o que se viu foi um “esquenta” para o
grande protesto marcado para o dia 20 de junho de 2013, dando assim um
indicativo de que a solidariedade aos protestos em outros Estados se transforma
em adesão para a construção de protestos locais em seu próprio território
antenados com as reivindicações gerais que acontecem pelo Brasil afora. Várias
cidades do exterior também tiveram protestos em apoio aos protestos no Brasil
no mesmo dia.
Do norte ao sul do País, com alcance praticamente
à metade dos Estados da federação, o que se viu nas ruas foram legiões de
cidadãos que ganharam as ruas e praças em protestos para tratar de temas que
diretamente atingiam suas cidades ou o País como um todo, mas também para
prestar solidariedade aos participantes de protestos da capital paulista, que
sofreram uma das mais duras repressões (mesmo sob a vigência de um sistema
democrático em grande avanço nos dias anteriores).
O perigo para o sistema não está nas
ruas fechadas, nos prédios públicos “atacados” e na imagem arranhada para
muitas autoridades públicas. Está na solidariedade que tais protestos geram no
conjunto da sociedade, o que impõe incertezas quanto ao grau de ruptura ou de
estragos que podem trazer ao status quo com novas adesões e maior alcance dos
protestos, sendo de difícil controle e sem possibilidades de previsão sobre
quais estruturas solidificadas poderão ser abaladas ou derrubadas. Muito menos
a quem se pode atingir em cheio primeiro, seja o sistema econômico, seja o
sistema político, o sistema dos oligopólios internacionais ou os sistemas de
comunicação de massa controlados por uma
minoria.
Nos tempos controversos da Guerra Fria,
o que mais afligia os cabeças dos países que orbitavam nos dois pólos era o
perigo da chamada solidariedade mundial, o que exigia a mobilização de recursos
financeiros infindáveis para quebrar qualquer possibilidade da construção dessa
solidariedade universal entre os povos.
Os protestos nos últimos tempos
ganharam novos atores, diferentes estratégias de mobilização e de organização e
construíram pautas e temas de multiplicidades, enquanto a repressão a eles não
inovou em nada: é a mesma truculência, o mesmo discurso autoritário em defesa
da força em detrimento ao diálogo e o mesmo engodo de que uma minoria impõe à
maioria os seus desejos e intentos.
O desgaste no sistema político é tão
enorme, que cada medida tomada por seus representantes no sentido de se segurar
ou de se equilibrar nesses momentos de tensão torna-se um combustível de
qualidade superiormente inflamável.
O sistema político pode aparentemente
manter diferenças nas suas composições internas, mas quando a situação coloca
em risco todo o seu sistema, o que se vê são alianças e acordos entre todos que
são sua parte. No caso da democracia brasileira, PT, PMDB, PSDB, PSD, PSB, PC
do B, etc., nessas horas falam a mesma língua, se posicionam com os
instrumentos políticos em comum e costumam não compartilhar dos interesses
maiores do País, porque a tendência é de proteção e de blindagem dos próprios
interesses.
O
desconforto não está nos alvos de insatisfação que já estão indicados nos protestos, mas nos que
podem ressurgir e demonstrar que o ponto de saturação de parcelas significativas dos brasileiras
finalmente aconteceu. Por isso que os
protestos já são vitoriosos, porque deixaram o sistema político sem saber o que
fazer, ficando sem rumo e em compasso de espera.
O fato é que a repressão não segurou por
muito tempo as mudanças das sociedades. O próximo caminho escolhido é que vai dar o tom da vitória dos protestos,
o ritmo da mudança, o atestado de que novas agendas serão abertas e guiadas
pelo total poder dos cidadãos e cidadãs de nosso País.
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