sábado, 8 de dezembro de 2012
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
OPINIÃO: O Prefeito João da Costa falando para os peixinhos dos jardins da Prefeitura de Recife (Por Otávio Luiz Machado)
O
Prefeito João da Costa falando para os peixinhos dos jardins da Prefeitura de
Recife
Otávio
Luiz Machado*
Na última sexta-feira (30 de novembro de
2012) presenciei uma das cenas mais deprimentes em toda a minha vida: os
cidadãos que queriam ficar próximos da reunião de onde decidiria os rumos da
cidade do Recife na Prefeitura de Recife ficaram isolados, constrangidos
ilegalmente, humilhados, sem informação
correta de como adentrar corretamente naquele espaço público e sem condição alguma de participar do poder
estatal nem como mero observadores.
O fato das informações
“desencontradas” intencional ou não
dadas por funcionários da Prefeitura do Recife já permitem qualquer cidadão
nesse ínterim sofrer CONSTRANGIMENTO ILEGAL, pois se barravam inclusive
entradas de incêndio e escadas mandar ir pelos elevadores, que por si só já
havia a ordem de não parar nos andares de número 7, 9 e 12. Quando se
questionava esses dois “canais” depois de muita conversa diziam que era melhor
procurar o gestor do prédio no 8º andar, que por sua vez pedia gentilmente ao
cidadão interessado falar com um inspetor da Guarda lá no térreo.
Lá do 12º andar uma pessoa chamada por
“major” era quem transmitia as informações para a repressão ao ato, pedindo
mais ou menos reforço para reprimir quem queria se fazer EXISTIR como cidadão. Nem assessoria de
comunicação ou chefia de gabinete da Prefeitura podia ser acionada para
garantia do direito de estar num prédio público sem constrangimento.
Lá embaixo vendo o lindo aquário nos
jardins da prefeitura de Recife dá para perceber que o diálogo com o Prefeito
João da Costa é o mesmo que quem passa por lá tem com os inofensivos peixinhos:
nenhum.
Mas os peixes graúdos da política e do
empresariado local falam entre si a linguagem dos peixes que poucos cidadãos
entendem: malas com milhões de reais, propinas, troca de favores, venda da
cidade, interesses contrários à maioria etc.
O jornalista Chico José me parece que é
um dos poucos brasileiros que consegue dialogar com os golfinhos de Fernando de
Noronha pela sua intimidade com o local e os seus habitantes aquáticos, mas
numa cidade como Recife nem com os peixinhos dos jardins da Prefeitura o
cidadão consegue criar um canal de diálogo com aquela instituição que faz parte
do seu dia-dia, porque por mais nos acostumes e a passemos a conhecer esses cidadãos que tomam contra da
prefeitura de Recife, só com a linguagem dos peixes graúdos será possível traduzir os nossos anseios, dúvidas e
expectativas quanto à administração da cidade.
Seja noite, seja dia, porque se mantemos
um ar-condicionado ou ventilado ligados enquanto dormimos nem nos nossos piores
pesadelos imaginamos que até dormindo a prefeitura arranca da gente os nossos
tributos via conta de energia elétrica.
À luz do dia quando vamos lá reivindicar
a melhor aplicação daquilo que pagamos até dormindo, a porta é fechada na nossa
cara.
Quem lá no futuro for escrever sobre a história de João da
Costa na Prefeitura de Recife deverá se perguntar: o que ele faria se fosse prefeito numa
conjuntura de ditadura civil-militar, diante de um governo tão autoritário num
contexto democrático? Uns vão
desconstruir essa visão que temos apontando com o Orçamento Participativo, que é importante frisar que boa parte dos
seus membros são militantes que não estão lá como fiscais ou delegados da
cidadania, só para cumprir tabela e ordens do “chefe”.
Outro fato gravíssimo foi ver que àqueles que
diziam estar lá para proteger os cidadãos nem isso cumpriram, porque até saídas
de emergência foram LACRADAS.
O fato é que a cidade já manifestou na
última eleição João da Costa Nunca Mais.
O Prefeito se mostrou alguém sem ambição de continuar na Política, pois ele
mostra que parece ser a Prefeitura onde ele conseguiu extrair tudo que queria.
Ele não pode ser esquecido, precisa ser lembrado por suas ações e omissões.
Infelizmente a nossa legislação não é
boa o suficiente para impedir que prefeitos comandando interesses escusos ao
fim de seu mandato sejam minimamente punidos.
Que o próximo prefeito se responsabilize pelas besteiras de um prefeito
autoritário e discuta de verdade a cidade com seus cidadãos, começando por
revogar qualquer medida “aprovada” em fim de mandato do Sr. João da Costa. Essa
sim, deverá ser a sua primeira medida na Prefeitura, a principal, a mais
coerente. O “resto” nos julgaremos no calor dos acontecimentos!
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
MATÉRIA: Arquivos comprovam a prisão do político Rubens Paiva, desaparecido há 41 anos
FONTE: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2012/11/arquivos-comprovam-a-prisao-do-politico-rubens-paiva-desaparecido-ha-41-anos-3959069.html
Um dos papéis mais procurados de um período sombrio da história do Brasil, uma folha de ofício amarelada e preenchida em máquina de escrever datada de janeiro de 1971, está guardado em um cofre do Palácio da Polícia Civil, em Porto Alegre. O documento confirma o envolvimento direto do Exército em um dos maiores enigmas do país protagonizado pelas Forças Armadas, cuja verdade é desconhecida até hoje.
É, até então, a mais importante prova material de que o ex-deputado federal, engenheiro civil e empresário paulista Rubens Paiva, desaparecido há 41 anos, vítima-símbolo dos anos de chumbo, esteve preso no Departamento de Operações e Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) no Rio de Janeiro, um dos mais temidos aparelhos de tortura do país.
O corpo de Paiva nunca foi localizado, e o Exército jamais admitiu responsabilidade sobre o sumiço do político cassado pela ditadura militar (1964 a 1985). Durante quatro décadas, o documento fez parte do arquivo particular do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas Dias, 78 anos. Gaúcho de São Borja, o coronel foi chefe do DOI-Codi do Rio, cerca de 10 anos depois do desaparecimento.
Em 1º de novembro deste ano, Molinas Dias foi assassinado quando chegava de carro a sua casa, no bairro Chácara das Pedras, na capital gaúcha. Seria uma tentativa de roubar o arsenal que o coronel colecionava (cerca de 20 armas) ou um assassinato por razões ainda desconhecidas — a polícia investiga o caso.
>>> Veja a reação dos filhos de Paiva ao saberem da existência de documento
Com a assinatura do ex-deputado
Em meio a um conjunto de papéis com o timbre do Ministério do Exército, parte deles com o carimbo "Reservado ou Confidencial", o documento referente à entrada de Rubens Paiva no DOI-Codi foi arrecadado pelo delegado da Polícia Civil Luís Fernando Martins de Oliveira, responsável pela investigação da morte do militar.
Zero Hora acompanhou a coleta e folheou parte dos papéis. O delegado evitou divulgar o conteúdo, mas afirmou que a documentação em nada compromete a trajetória profissional de Molinas Dias.
— Pelo que consta ali, já descartamos a hipótese de o coronel ter sido morto por vingança em razão da atividade no Exército — garantiu o delegado.
Sob o título "Turma de Recebimento", o ofício contém o nome completo do político (Rubens Beyrodt Paiva), de onde ele foi trazido (o QG-3), a equipe que o trouxe (o CISAer, Centro de Inteligência da Aeronáutica), a data (20 de janeiro de 1971), seguido de uma relação de documentos, pertences pessoais e valores do ex-deputado. Na margem esquerda do documento, à caneta, consta uma assinatura, possivelmente de Paiva.
Promotor deve pedir documento
O termo de recebimento dos objetos é chancelado em 21 de janeiro de 1971 pelo então oficial de administração do DOI-Codi, cujo nome é ilegível no documento. É possível que seja o mesmo capitão que, em um pedaço de folha de caderno (também guardado por Molinas Dias), escreveu de próprio punho, em 4 de fevereiro de 1971, que foram retirados pela Seção de Recebimento "todos os documentos pertencentes ao carro" de Paiva que tinha sido levado para o DOI-Codi.
Em visita à 14ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre, na semana passada, integrantes da Comissão Nacional da Verdade — criada pelo governo federal para investigar crimes na ditadura — solicitaram uma cópia dos documentos, que deverá ser remetida a Brasília nos próximos dias.
O documento também interessa, e muito, ao promotor Otávio Bravo, que atua junto à Justiça Militar no Rio. No ano passado, ele reabriu a investigação do caso Rubens Paiva, após o Brasil ratificar em convenção internacional, o compromisso de apurar casos de desaparecimento forçado, como ocorreu com Paiva.
— Vou requisitar o documento. Não tenho conhecimento dele. Pode ser mais um indício para apurar a verdade e de que ele (Paiva) morreu no DOI-Codi — afirmou.
Segundo Bravo, até então, a informação mais contundente sobre a passagem de Paiva pelo DOI-Codi carioca se limita a relatos verbais, entre eles o de Maria Eliane Paiva, uma das filhas do ex-deputado.
Aos 15 anos, ela foi levada ao DOI-Codi para ser interrogada no dia seguinte à prisão do pai. Passadas quatro décadas, ao depor pela primeira vez sobre o caso perante o promotor, Eliane disse que ouviu de um soldado que Paiva foi morto após ser espancado no DOI-Codi.
— É a única prova que tenho de que ele foi para lá. O documento pode dar credibilidade aos depoimentos — diz Bravo.
Leia as informações presentes no ofício que confirma a prisão de Rubens Paiva no DOI-Codi no Rio:
MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
PRIMEIRO EXÉRCITO
DOI
TURMA DE RECEBIMENTO
Nome: Rubens Beyrodt Paiva
Local: Encaminhado pelo QG-3
Data: 20.01.71
Equipe: CISAer
I - DOCUMENTOS PESSOAIS
Um cartão de identificação do contribuinte
Dois cartões de piloto privado
Um cartão do DINERS CLUB
Uma carteira nacional de habilitação
Uma carteira profissional do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura
II - PERTENCES PESSOAIS
Um porta notas de couro preto
Quatro cadernos de anotações
Um chaveiro com cinco chaves
Uma fita de gravador
Um lenço branco
Uma gravata
Um cinto de couro preto
Um paletó
14 livros de diversos autores
uma observação manuscrita: dois cadernos de anotações encontram-se com o major Belham (devolvidos os cadernos)
III - MATERIAIS DIVERSOS
Não há
IV - Publicações
Não há
V -ARMAMENTO E MUNIÇÃO
Não há
VI - VALORES
Uma caneta esferográfica de metal branco
Uma caneta esferográfica branca e cinza
Um relógio de metal branco marca Movado
Uma peça de metal amarelo
VII - DINHEIRO
CR$ 260,00 (duzentos e sessenta cruzeiros)
Na margem esquerda, à caneta, consta uma assinatura, possivelmente de Rubens Rubens Beyrodt Paiva
Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 1971
Oficial de Administração do DOI
Arquivos comprovam a prisão do político Rubens Paiva, desaparecido há 41 anos
Material estava no acervo do coronel da reserva do Exército assassinado na Capital

Papel comprova que ex-deputado federal esteve preso antes de sumir
Foto:
Eduardo Simões / Especial
José Luis Costa
Um dos papéis mais procurados de um período sombrio da história do Brasil, uma folha de ofício amarelada e preenchida em máquina de escrever datada de janeiro de 1971, está guardado em um cofre do Palácio da Polícia Civil, em Porto Alegre. O documento confirma o envolvimento direto do Exército em um dos maiores enigmas do país protagonizado pelas Forças Armadas, cuja verdade é desconhecida até hoje.
É, até então, a mais importante prova material de que o ex-deputado federal, engenheiro civil e empresário paulista Rubens Paiva, desaparecido há 41 anos, vítima-símbolo dos anos de chumbo, esteve preso no Departamento de Operações e Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) no Rio de Janeiro, um dos mais temidos aparelhos de tortura do país.
O corpo de Paiva nunca foi localizado, e o Exército jamais admitiu responsabilidade sobre o sumiço do político cassado pela ditadura militar (1964 a 1985). Durante quatro décadas, o documento fez parte do arquivo particular do coronel da reserva do Exército Julio Miguel Molinas Dias, 78 anos. Gaúcho de São Borja, o coronel foi chefe do DOI-Codi do Rio, cerca de 10 anos depois do desaparecimento.
Em 1º de novembro deste ano, Molinas Dias foi assassinado quando chegava de carro a sua casa, no bairro Chácara das Pedras, na capital gaúcha. Seria uma tentativa de roubar o arsenal que o coronel colecionava (cerca de 20 armas) ou um assassinato por razões ainda desconhecidas — a polícia investiga o caso.
>>> Veja a reação dos filhos de Paiva ao saberem da existência de documento
Com a assinatura do ex-deputado
Em meio a um conjunto de papéis com o timbre do Ministério do Exército, parte deles com o carimbo "Reservado ou Confidencial", o documento referente à entrada de Rubens Paiva no DOI-Codi foi arrecadado pelo delegado da Polícia Civil Luís Fernando Martins de Oliveira, responsável pela investigação da morte do militar.
Zero Hora acompanhou a coleta e folheou parte dos papéis. O delegado evitou divulgar o conteúdo, mas afirmou que a documentação em nada compromete a trajetória profissional de Molinas Dias.
— Pelo que consta ali, já descartamos a hipótese de o coronel ter sido morto por vingança em razão da atividade no Exército — garantiu o delegado.
Sob o título "Turma de Recebimento", o ofício contém o nome completo do político (Rubens Beyrodt Paiva), de onde ele foi trazido (o QG-3), a equipe que o trouxe (o CISAer, Centro de Inteligência da Aeronáutica), a data (20 de janeiro de 1971), seguido de uma relação de documentos, pertences pessoais e valores do ex-deputado. Na margem esquerda do documento, à caneta, consta uma assinatura, possivelmente de Paiva.
Promotor deve pedir documento
O termo de recebimento dos objetos é chancelado em 21 de janeiro de 1971 pelo então oficial de administração do DOI-Codi, cujo nome é ilegível no documento. É possível que seja o mesmo capitão que, em um pedaço de folha de caderno (também guardado por Molinas Dias), escreveu de próprio punho, em 4 de fevereiro de 1971, que foram retirados pela Seção de Recebimento "todos os documentos pertencentes ao carro" de Paiva que tinha sido levado para o DOI-Codi.
Em visita à 14ª Delegacia da Polícia Civil de Porto Alegre, na semana passada, integrantes da Comissão Nacional da Verdade — criada pelo governo federal para investigar crimes na ditadura — solicitaram uma cópia dos documentos, que deverá ser remetida a Brasília nos próximos dias.
O documento também interessa, e muito, ao promotor Otávio Bravo, que atua junto à Justiça Militar no Rio. No ano passado, ele reabriu a investigação do caso Rubens Paiva, após o Brasil ratificar em convenção internacional, o compromisso de apurar casos de desaparecimento forçado, como ocorreu com Paiva.
— Vou requisitar o documento. Não tenho conhecimento dele. Pode ser mais um indício para apurar a verdade e de que ele (Paiva) morreu no DOI-Codi — afirmou.
Segundo Bravo, até então, a informação mais contundente sobre a passagem de Paiva pelo DOI-Codi carioca se limita a relatos verbais, entre eles o de Maria Eliane Paiva, uma das filhas do ex-deputado.
Aos 15 anos, ela foi levada ao DOI-Codi para ser interrogada no dia seguinte à prisão do pai. Passadas quatro décadas, ao depor pela primeira vez sobre o caso perante o promotor, Eliane disse que ouviu de um soldado que Paiva foi morto após ser espancado no DOI-Codi.
— É a única prova que tenho de que ele foi para lá. O documento pode dar credibilidade aos depoimentos — diz Bravo.
Leia as informações presentes no ofício que confirma a prisão de Rubens Paiva no DOI-Codi no Rio:
MINISTÉRIO DO EXÉRCITO
PRIMEIRO EXÉRCITO
DOI
TURMA DE RECEBIMENTO
Nome: Rubens Beyrodt Paiva
Local: Encaminhado pelo QG-3
Data: 20.01.71
Equipe: CISAer
I - DOCUMENTOS PESSOAIS
Um cartão de identificação do contribuinte
Dois cartões de piloto privado
Um cartão do DINERS CLUB
Uma carteira nacional de habilitação
Uma carteira profissional do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura
II - PERTENCES PESSOAIS
Um porta notas de couro preto
Quatro cadernos de anotações
Um chaveiro com cinco chaves
Uma fita de gravador
Um lenço branco
Uma gravata
Um cinto de couro preto
Um paletó
14 livros de diversos autores
uma observação manuscrita: dois cadernos de anotações encontram-se com o major Belham (devolvidos os cadernos)
III - MATERIAIS DIVERSOS
Não há
IV - Publicações
Não há
V -ARMAMENTO E MUNIÇÃO
Não há
VI - VALORES
Uma caneta esferográfica de metal branco
Uma caneta esferográfica branca e cinza
Um relógio de metal branco marca Movado
Uma peça de metal amarelo
VII - DINHEIRO
CR$ 260,00 (duzentos e sessenta cruzeiros)
Na margem esquerda, à caneta, consta uma assinatura, possivelmente de Rubens Rubens Beyrodt Paiva
Rio de Janeiro, 21 de janeiro de 1971
Oficial de Administração do DOI
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