segunda-feira, 26 de novembro de 2012

OPINIÃO: Homenagem ao Professor Denis Bernardes na Editora Universitária da UFPE (Por Otávio Luiz Machado)

Homenagem ao Professor Denis Bernardes na Editora Universitária da UFPE
Por Otávio Luiz Machado*

Como já disse nos demais textos escritos, a separação em vários textos do que escrevo sobre o evento ocorrido na tarde do dia 23 de novembro de 2012  na Editora Universitária da UFPE foi necessária para não fazer um único e grandioso texto, que indubitavelmente seria cansativo para os leitores. Os demais podem ser consultados aqui:





Aqui tratarei mais especificamente da homenagem feita a Denis Bernardes, que praticamente percorreu todo o evento do dia,  horário e local já especificado acima.
Desde o falecimento de Denis Bernardes, inclusive no velório no prédio da reitoria da UFPE, as homenagens não cessam, tendo já agendado para o mês de dezembro próximo no centro do qual ele se dedicou boa parte de sua vida na UFPE – o CCSA -, quando o auditório daquela unidade passará a ter o seu nome.
O evento da Editora Universitária também é muito especial, porque por ali passaram autores indicados por ele para ser publicados, muitas referências a seu nome e sua obra na produção acadêmica publicada por vários autores e suas próprias obras, sejam estudos próprios, sejam estudos coletivos.
A revista Estudos Universitários estava sendo até o seu falecimento a principal publicação da qual era o editor que passou a ter maior intensidade naquele ambiente.
Não foi ali uma homenagem “apenas”  da lavra da editora e que ressaltava sua contribuição a ela,  o que não seria pouco,  mas da própria universidade e de seus amigos e amigas.
A Professora Emília Maria M. de Morais falou mais na condição de amiga, tentando trazer traços da biografia de Denis Bernardes que  só os que conviveram com ele  pode de fato entender, porque era algo muito particular da personalidade dele.
O texto conciso e fiel à história de Denis lido na ocasião e que foi felizmente publicado a tempo no número comemorativo aos 50 anos da Revista Estudos Universitários  faz correções a tantos dados que acabam sendo divulgados sobre a trajetória acadêmica de Denis na UFPE, o que é um ganho a mais. Fica aí a dica para que as pessoas tenham acesso ao volume 29, número 10, de outubro de 2012. Lá vão ter a melhor noção da biobibliografia de Denis Bernardes e demais textos.
A Professora Socorro Abreu, que também foi amiga do Professor Denis, relembrou que por volta de um ano e meio atrás (no primeiro semestre de 2011) ele dizia para ela: “Esse ano foi difícil e o ano que vem vamos estar juntos”.
Só demonstra o quanto ele queria continuar com esse esforço coletivo da revista Estudos Universitários, que mesmo após o seu falecimento dois outros números que ainda vão ser publicados ficaram prontos com sua participação.
Socorro Abreu conheceu Denis Bernardes na juventude, pois ambos foram da Ação Popular, sendo mais recentemente uma parceira dele no resgate da história dos movimentos sociais.  Falou da luta de Denis com os professores pela melhoria da universidade pública, mas também sua luta em favor dos oprimidos para “trazer todos aqueles sujeitos da classe trabalhadora” para que se  sentissem valorizadas ao atuarem coletivamente.
O trabalho de Denis é o reconhecimento de um trabalho em equipe em prol da memória, pois para ela para que o passado não permaneça só nas lembranças mas nos nossos documentos muitos tiveram que realizar um trabalho desse sentido.
Ao recolher algo que possibilita e dê elementos para reconstruir essa história da luta do povo brasileiro, disse Socorro Abreu, o trabalho de Denis garimpando documentos e orientando estudantes fez a diferença e deixou grande contribuição.
Também pontuou a necessidade de atenção para um dos trabalhos que Denis se voltou, a extensão universitária, conclamando que é preciso “assumir a luta para que essa universidade não perca de vista a questão da extensão”.
O Vice-Reitor, Professor Silvio Romero Marques, que salientou que a homenagem como essa a Denis Bernardes se “confunde emoção com o compromisso institucional”, também falou da sua época  de estudante, que inclusive participou do momento de ocupação da Reitoria da UFPE nos anos 1960 durante a gestão do reitor Murilo Guimarães, que praticamente ficou sem ter condições de sair daquele recinto diante do cerco estudantil.
Silvio Marques relembrou o episódio dizendo que quem era o responsável pela “vigilância” da entrada da reitoria era ele que, como estudante engajado naquele momento poderia inclusive barrar a entrada de refeições que iriam matar a fome do Reitor “cercado”. Foi ele quem “autorizou” a entrada do advogado Paulo Cavalcanti com as refeições, o que poderia ter sido diferente.
Com essa reflexão, o magnífico vice-reitor disse que dentro da universidade deveria haver a reflexão sobre o que aconteceu com a revista Estudos Universitários ao longo dos seus 50 anos, principalmente evocando a diversidade de ideias que existe dentro da universidade.
Ao dizer que “todo aquele que pensa precisa ter seguidores”, seja no sentido “para ser transmitido e reproduzido”, o vice-reitor refletiu que “a revista continuará além do tempo”, pois ela é um veículo de produção e reprodução das ideias produzidas pela UFPE.
O reitor Anísio Brasileiro retoma novamente a palavra, que desta vez foi durante a parte de homenagem ao grande Denis Bernardes. Obviamente que na oportunidade não deixou de falar da sua atual gestão, o que é natural nas falas de reitores nos mais diversos eventos.
Começou a falar baseando no Amyte Sam sobre as “instituições justas”, para dizer que o assunto do novo estatuto e sua construção passa ser uma prioridade da UFPE, pois terá elementos inclusive para tratar com mais justiça a situação dos estudantes da instituição que vez ou outra se esbarram em “práticas de autoritarismo”, sendo o novo estatuto um mecanismo para “que a instituição tenha procedimento justo”.
         Anísio Brasileiro foi além na sua reflexão, ao dizer que o novo estatuto e as novas práticas vão poder permitir “às pessoas serem capazes de se indignar diante de toda forma de coerção”.
         Anísio fez essas ponderações até chegar ao assunto da revista para dizer que a revista Estudos Universitários traz as marcas do tempo da universidade, “pois a revista expressa este estado de ânimo” e que é preciso ser “fiéis aos nossos princípios e a nossa história”.
         Ao evocar o reitor Murilo Guimarães na defesa dos estudantes vi um pouco de precipitação na sua análise, mas sua fala deu para entender o seu ideário de universidade. Ele falou em seguida das cotas que vão permitir atingir 1200 alunos no próximo vestibular, que para ele atos assim representam a “defesa da democracia e em prol dos direitos humanos”.
         Um relato sobre sua relação com Denis Bernardes tomou um bom espaço da sua fala, que começou afirmando que “nos últimos trinta anos como gestor não fiz nada sem consultar antes o Denis”.
Também falou da relação de Denis Bernardes com os estudantes, que mesmo fazendo tudo que fazia ainda sobrava tempo para receber, conversar e ajudar muitos estudantes.
Anísio falou algo que eu já sabia, mas que só os que conviviam com ele tinha noção: ele ia toda semana à  Faculdade de Direito para ajudar na recuperação do acervo daquela instituição, incluindo um trabalho sobre a documentação estudantil em revistas, do qual ele orientou vários estudantes e pesquisas nesse sentido.
         Não deixou passar batido que as conversas com Denis representava uma verdadeira aula. Como Denis não dirigia e pegava ônibus, falou das vezes que deu carona a ele na Avenida 17 de agosto, quando passava todo o trajeto puxando questões para Denis refletir com ele.
         Anísio lembrou a última vez que Denis Bernardes apareceu publicamente, quando foi paraninfo de uma turma de Serviço Social.
Foi citado uma conversa que teve com Denis no 15º andar do CFCH, quando na ocasião Denis começou a mostrar vários pontos do campus da UFPE e começou a discorrer sobre sua história, pois como disse Anísio, “ele sabia de toda a estrutura do campus”. Quando falou do CFCH alguém perguntou se os elevadores do centro – que até hoje continuam com sérios problemas – estavam funcionando quando ocorreu isso, e ele respondeu que sim.
Ao final falou do envolvimento de Denis Bernardes nas últimas três eleições para Reitor da UFPE, inclusive na comissão eleitoral, perguntando por qual motivo ele se envolveu, com a seguinte resposta: “Ele tinha a compreensão da importância de uma eleição, porque ali estava sendo tratado do futuro da universidade”. Disse, por exemplo, que desse posicionamento poderia sair  o resultado de uma universidade mais democrática ou menos democrática.
O encerramento da sessão foi logo em seguida, com a sessão de autógrafos do livro de Dimas Brasileiro e a distribuição do novo número da Revista Estudos Universitários da UFPE, cuja ocasião também foi propícia para as conversas e o contato das pessoas, que é algo tão fundamental na vida universitário e que o homenageado Denis Bernardes era um daqueles que não deixava de participar de atos como esse e de ficar papeando ao final. Um momento que não mais será possível contar com sua agradável conversa, só com o seu inestimável exemplo de pessoa humana e de acadêmico!

*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahpp.com.br


OPINIÃO: Os 50 anos da Revista Estudos Universitários da UFPE (Por Otávio Luiz Machado)


Os 50 anos da Revista Estudos Universitários da UFPE
Por Otávio Luiz Machado*

Introdução

Antes de tratar especificamente do assunto trazido no título, é importante informar ao leitor que, para não construir um texto tão denso, acabei separando em três o que aconteceu ao mesmo tempo na tarde do dia 23 de novembro de 2012 na Editora da UFPE: a comemoração dos 50 anos da Revista Estudos Universitários, a conferência do crítico literário Luiz Costa Lima e a homenagem ao Professor Denis Bernardes.  O primeiro assunto trato em seguida e é parte do primeiro texto, sendo “linkado” aos demais na hora da divulgação.
O evento em comemoração aos 50 anos da Revista Estudos Universitários da UFPE no dia 23 de novembro de  2012 no auditório Gilda Lins da Editora Universitária entrou para a história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)  como o momento de fortalecimento de um veículo de difusão da universidade que efetivamente cumpre múltiplos papeis, como o de ser mais um espaço para a comunidade universitária divulgar seus trabalhos, de ser uma revista que leva o nome da instituição além dos seus muros e de ser um repositório ao mesmo tempo da história da UFPE e da reflexão que ela precisa fazer para construir o futuro.
Por um lance do destino, coincidentemente o momento marcou a presença de duas pessoas que consideraria primordiais para a revista ao longo de sua história: Denis Bernardes e Luiz Costa Lima. O nome da retomada da revista em 2010, juntamente com o nome fundamental dos primeiros passos dela em 1962. Um que infelizmente não pode estar pessoalmente, embora sua presença ainda se faz por ali; um que esteve não só pessoalmente, mas é uma referência a todos que fazem e colaboram com a revista. Ambos, pessoas que pude contracenar desde que meu destino se cruzou com o da UFPE, que ainda me influenciam muito e dificilmente vão deixar de ser nomes que me ensinaram tarefas intelectuais fundamentais.

Contracenando com Luiz Costa Lima,  Denis Bernardes e outros nomes através da Revista

O nome e a pessoa de Luiz Costa Lima foi o primeiro que conheci, pois em 2005 passei a tratar a sua experiência na revista Estudos Universitários com especial atenção quando pesquisava o movimento estudantil da UFPE. Por coincidências do destino, fui o primeiro a trazê-lo para uma publicação da UFPE na qual dava “voz” ao seu período da revista no início dos anos 1960. Isso foi em 2007, três anos antes da retomada da revista. Em 2012 republiquei todas as entrevistas que fiz e tinham sido publicada em livros, sites, cd-rom, blogs, etc. A de Luiz Costa Lima e tantas outras podem ser lidas no livro que organizamos intitulado “Contributos para o pensamento dasjuventudes brasileiras” (é só clicar em cima do título do livro para ter acesso)
O nome e a pessoa de Denis Bernardes conheci logo em seguida, pois me ajudou bastante num projeto que fazia sobre o movimento estudantil das escolas de Engenharia do Brasil, tendo a entrevista que fiz e publiquei de Elimar Nascimento a minha primeira referência sobre a participação de Denis Bernardes na luta contra a ditadura civil-militar de 1964.
Os nomes de Denis Bernardes e Luiz Costa Lima até hoje me acompanham, pois o trabalho pioneiro que fizemos sobre o Serviço de Extensão Cultural ou da revista Estudos Universitários ainda nos permite pedidos de solicitação de colaboração de vários estudantes e pesquisadores.
Mas tantos outros nomes que estiveram no evento também se associaram a minha história de envolvimento com a revista Estudos Universitários, pois em 2010 fomos convidados por Denis Bernardes a publicar um artigo no primeiro número da revista após a sua retomada, que tratava do tema juventudes. O número anterior foi específico acerca da importância da revista e tinha como objetivo resgatar a história da revista trazendo de volta à cena os seus principais nomes de fundação e construtores ao longo de sua existência.
Nesse momento de retomada não poderia deixar de citar os nomes de Djanyse Barros Mendonça, Allene Lage,  Dimas Brasileiro, Miriam Vila Nova Maia, Thallita Gondim Costa dos Santos e tantos outros que nos atenderam quando fomos convidados por Denis Bernardes para colocar no número de estreia que tratava de Juventudes.
No número sobre juventudes também indiquei, por solicitação principalmente de Denis Bernardes, vários nomes que poderiam ser convidados, pois é preciso considerar que a revista nessa fase de retomada não estava totalmente consolidada e por isso foi utilizado o expediente do “convite”, sendo fundamental também ressaltar que os textos efetivamente publicados foram escolhidos pelo critério da qualidade e não efetivamente ou simplesmente pelo aceite dos “convites”.

O evento dos 50 anos da Revista Estudos Universitários

Um auditório lotado numa sexta-feira  com a UFPE em recesso escolar chamou a atenção, o que indica a importância do evento.
Sob a coordenação do Reitor Anísio Brasileiro, o início das atividades foi dado, que ressaltou o “misto de alegria e “responsabilidade” ao estar entregando um novo número da revista Estudos Universitários justamente na comemoração dos 50 anos do seu início.
Também falou da gestão do Reitor João Alfredo, cujas iniciativas culminaram em inovações efetivas na instituição, como é o caso da própria Revista, da Rádio Universitária e do Serviço de Extensão Cultural (SEC) que até hoje estão sendo referências na instituição.
A Professora Allene Lage  começou falando da retomada da revista em 2010, que tinha Denis Bernardes como o editor e como conselho editorial Lourival Holanda, Solange Coutinho, Heloísa Mendonça, Marcos Lima e Antônio Motta.
Também falou da fase de renovação da revista, que precisa contar com um melhor espaço físico para a sua redatoria além dos espaços como a sala de reunião da Proext e o espaço da Editora da UFPE  que tem sido utilizado para os encontros dos editores, sem contar o esforço para a maior creditação da revista, que até onde sabemos precisaria subir para o nível B1 da avaliação de revistas pela Capes para se encontrar num nível mais adequado.
Allene atribuiu essa falta de periodicidade da revista ao longo do tempo o impedimento de estar naquilo que é exigido pela CAPES, mas considerou que esta questão foi superada pelo trabalho em equipe coordenado por Denis Bernardes, que já deixou dois números preparados para publicação.
A dos 50 anos ele próprio escolheu as imagens da capa, com a circulação pelos corredores da instituição Paulo Freire e Paulo Rosas numa foto, e Castelo Branco e outros noutra foto, o que dá a entender que ele quis mostrar com as imagens dois momentos distintos na instituição, que inclusive marca um corte epistemológico na edição da revista Estudos Universitários.
Seja qual for a intenção dele, o certo é que a revista entrou numa nova fase em 2010, onde o desafio é, conforme as palavras da Professora Allene Lage, que a revista “não se interrompa mais” e de se manter a expectativa dela “se tornar  uma revista para estar no topo das demais revistas acadêmicas”.
Em seguida, o Professor Dimas Brasileiro fez sua fala, que marca não somente o lançamento do seu livro sobre a história da revista Estudos Universitários, mas também uma homenagem a revista pelos seus 50 anos, que Denis Bernardes na condição de editor queria que isso definitivamente acontecesse. Só não sabíamos que ele não estaria pessoalmente presente para o momento, pois faleceu meses antes disso acontecer.
O que veio a se somar nesse momento a homenagem ao Denis Bernardes, cujos detalhes trarei num outro texto.
Dimas começou fazendo da homenagem à revista um agradecimento a todos que contribuíram com ela nesses 50 anos  nessa “ilustre cerimônia”, pois para ele “são 50 anos fazendo a história nessa universidade”, inclusive comentando detalhes do seu encontro com a revista Estudos Universitários como pesquisador. Ainda divulgaremos o conteúdo de sua fala na íntegra, que gentilmente nos foi repassada ao final do evento.
Em seguida à fala de  Dimas falou os dirigentes de dois nomes responsáveis institucionalmente pelos órgãos parceiros na produção definitiva da revista Estudos Universitários da UFPE: a Editora Universitária  e a Pró-Reitoria de Extensão.
A diretora da Editora, Professora Maria José Luna  falou que o momento contracenado por todos naquela ocasião era “simbólico, histórico e emotivo”, ao se referir a todos que conheceram o Professor Denis Bernardes.
Disse que no momento importante de retomada da revista lá estava Denis, que também tinha o mesmo sentimento de que a revista era a “tradução do conhecimento produzido nessa universidade” e seu objetivo maior era o de estar “atrelado a um projeto institucional”.
Também falou que Denis Bernardes não era só o editor da revista publicada pela Editora, mas era o grande conselheiro da própria editora, pois tinha as seguintes qualidades: competência, credibilidade, independência, compromisso social, representatividade, experiência e imparcialidade.
Disse também Maria José perguntando do que seria a UFPE sem a revista Estudos Universitários, que dentre algumas contribuições, destacou ser capaz de imortalizar o saber científico produzido na universidade e fazer a universidade ser mais conhecida  pela comunidade interna e externa.
Ao dizer “não podemos nos esquecer é que nós trabalhamos essencialmente com o conhecimento”, a professora Maria José disse que a revista é um espaço importante de difusão, fazendo o seguinte chamado: “ocupemos portanto o nosso espaço e vamos adiante com a Revista Estudos Universitários”.
O Pró-Reitor de Extensão Edilson Fernandes tratou de trazer para si a enorme responsabilidade para que a Revista Estudos Universitários continue, inclusive falando do orçamento próprio para a edição da revista de modo que ela possa cada vez mais circular no Brasil e no exterior e a importância de fazer a revista circular e atrair todos os programas de pós-graduação da UFPE.
Também falou da paixão da equipe na feitura da revista, a necessidade de mais exemplares circulando, considerando que a revista é “estratégica para o diálogo dentro e fora da universidade”, salientando que “esse  compromisso é a missão da universidade”.
Em seguida à fala de Edilson Fernandes, na sequência ocorreu a conferência do Professor Luiz Costa Lima, que foi editor dos primeiros números da Revista Estudos Universitários.


*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br
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MATÉRIA DIÁRIO DE PERNAMBUCO: TVU pretende ser referência (24-11-12)


OPINIÃO: Participando do lançamento do livro “Onde Está Meu filho?” (Por Otávio Luiz Machado)


Participando do lançamento do livro “Onde Está Meu filho?”
Por Otávio Luiz Machado*

         O lançamento do Livro “Onde Está Meu filho?” foi muito emocionante, porque pudemos encontrar diversos lutadores sociais que iniciaram sua luta no período da ditadura civil-militar de 1964 e a mantiveram até os dias de hoje acompanhando os desafios da contemporaneidade.
         Além de poder estar ali tendo uma aula de história do Brasil, os presentes puderam acompanhar um pouco dos acontecimentos passados conversando com vários daqueles personagens que tiveram o compromisso com a resistência à ditadura e contribuíram para a redemocratização do Brasil.
         Também pudemos falar com pessoas que estão próximas de assumir responsabilidades importantes na cidade de Recife, como é o caso do prefeito eleito Geraldo Júlio, que deu seu depoimento sobre a luta de toda a família Santa Cruz para conseguir encontrar um dos seus que até hoje encontra-se desaparecidos e sem notícia alguma do que se passou, como é o caso de Fernando Santa Cruz, o grande homenageado do livro. Dona Elzita, a matriarca da família, também é outra homenageada, porque a procura por notícias do seu filho querido ainda está sendo uma das suas lutas.
 A fala de Geraldo está aqui:



         O advogado e vereador de Olinda Marcelo Santa Cruz foi quem conduziu os trabalhos da noite, pois além de irmão e um dos lutadores pelos direitos humanos em Pernambuco e no Brasil, também teve sua militância política iniciada no período da ditadura civil-militar de 1964, como seu irmão e tantos outros.



         O Secretário-Executivo da Comissão da Verdade de Pernambuco também falou no evento de lançamento do livro, pois à época do desaparecimento de Fernando Santa Cruz ele foi o primeiro deputado federal a noticiar publicamente essa triste situação vivida pelos familiares, que tinha em Dona Elzita Santa Cruz a força para denunciar, exigir e lutar para que explicações convincentes sobre o desaparecimento de seu filho viessem a surgir. Aqui a fala de Fernando Coelho:




         Representando o governador Eduardo Campos, o Secretário Tadeu Alencar falou da participação do governo de Pernambuco para o resgate histórico da luta de Dona Elzita e tantos outros familiares que tiveram  parentes desaparecidos ou mortos pelo aparelho repressor da ditadura que até hoje não conseguem saber em que circunstâncias tudo aquilo aconteceu.



Em nome dos demais organizadores, Chico de Assis falou da emoção em representar os demais organizadores, principalmente da luta atual fundamental para a democracia brasileira, que é o direito à memória, à verdade e à justiça:





         O livro é leitura obrigatória para todos aqueles que acreditam no Brasil e não cansam de contribuir para o aperfeiçoamento da democracia. Também é uma leitura para os que também querem participar e interferir nos rumos da sociedade, pois o livro dá inspiração necessária para isso. Boa leitura!

*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

OPINIÃO: A exposição "Reparação - Memorial da Democracia Pernambuco" e os jovens, que fica aberta até 2013 (Por Otávio Luiz Machado)


A exposição "Reparação - Memorial da Democracia Pernambuco" e os jovens, que fica aberta até 2013
Por Otávio Luiz Machado*

Pude visitar a exposição "Reparação - Memorial da Democracia Pernambuco" no dia 22 de novembro de 2012, quando estive no lançamento do livro “Onde está meu filho?”, o que contribuiu para poder vislumbrar melhor um pouco da história da ditadura civil-militar da qual sou estudioso.
A mostra é uma parceria da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e o Governo de Pernambuco, tendo a participação Coordenação-geral de Estudos da História Brasileira (Cehibra), da diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Meca/Fundaj), que forneceu diversas imagens do  cervo iconográfico da Fundaj.



Uma imagem bastante representativa que traz a famosa frase “Amanhã vai ser outro dia!”, que originalmente vem de uma das canções de protesto daquele período, ocupou todo o fundo da exposição, dando ao visitante a melhor noção do que iria encontrar pela frente.  Pode-se começar a visita com dados históricos sobre o início do golpe no Brasil e em Pernambuco, encontrando mais adiante gráficos que mostram como era o aparelho da repressão, os principais órgãos de informação e a estrutura que foi sendo aperfeiçoada para reprimir, matar, mutilar, desaparecer ou exilar os que se opunham ao regime de exceção.
Um pouco da exposição poderá ser apreciada nesse vídeo:




É fundamental que as juventudes conheçam a luta de outras juventudes ao longo da história, porque os jovens tiveram um protagonismo na resistência à ditadura civil-militar de 1964.  A exposição contribui para a formação cidadã dos jovens, pois nos seus mais diversos pontos é possível interagir com aquele período de uma forma como se lá estivéssemos participando. Fica a dica.


*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

OPINIÃO: Uma semana de consciência negra simbólica: do SINTUFEPE-UFPE AO STF (Por Otávio Luiz Machado



Uma semana de consciência negra simbólica: do SINTUFEPE-UFPE AO STF
Otávio Luiz Machado*

         Quem esteve no SINTUFEPE da UFPE pode conhecer ou rememorar numa exposição que trouxe aquilo que é muito representativo na vida de uma pessoa: as suas obras.
         Foi assim que a exposição ofereceu ao público a marca da cultura negra na sociedade brasileira, pois estavam ali livros, discos, revistas, cartazes e outras marcas da manifestação negra em nosso País.




De tudo um pouco se podia encontrar por ali, como LPs de Dona Ivone Lara, Djvan, Milton Nascimento, Alcione, Quarteto Negro, Emílio Santiago, Geraldo Pereira, Pixinguinha e tantos outros.
Uma seleta de publicação em forma de revistas também estava lá, como é o caso da Revista Palmares,  e de livros, como um que trata dos 25 anos de movimento negro no Brasil, um com discursos do líder em defesa dos direitos dos negros Abdias do Nascimento e outro intitulado A África está em nós.
De cartazes com Zumbi e Nelson Mandela até matéria de jornal mais recente analisando a simbologia para o movimento negro a posse do Ministro Joaquim Barbosa como Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF)  faziam a imaginação dos que ali visitaram a exposição no  SINTUFEPE  ir ao mesmo tempo no profundo da história aos dias atuais, o que é algo totalmente significativo e formativo.
A posse de Joaquim Barbosa acontece hoje, numa quinta-feira de novembro aparentemente igual as outras quintas-feiras ou qualquer dia da semana qualquer, mas que entra para a história como o dia em que um negro entra na primeira lista de nomes de comando da elite das instituições brasileiras, nesse caso do judiciário.


É sabido de antemão que isso não vai ficar só na simbologia, porque ações efetivas do Estado vão ser aprofundadas para resgatar a dívida histórica com os negros, o que deve começar no próprio judiciário com as ações e atenções encabeçadas pelo agora Presidente do STF Joaquim Barbosa.
As famosas sentenças que sempre excluíram os negros  e os demais excluídos socialmente certamente pouco se repetirão, porque a mudança vai ser profunda, que em tantas outras frentes e em conjunto vai provocar transformações nos subterrâneos dos poderes. Quem viver, vai ver.



*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br