quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Quem monitora o monitorador?


Quem monitora o monitorador?
Otávio Luiz Machado*

            O candidato Geraldo Júlio não foi só infeliz, mas profundamente agiu de má fé quando em TV aberta disse que monitorou o então Secretário das Cidades Humberto Costa, que era não só seu colega de secretariado, mas também um aliado de primeira hora do governador Eduardo Campos.
            É fato que Geraldo Júlio tem várias qualidades, porque tem sim uma folha de serviços prestados a Pernambuco. De uma hora para outra viu sua campanha passar a ser piada. Primeiro quando divulga a todo canto que tudo de bom em Pernambuco é de sua autoria. Depois com o caso da retirada dos cavaletes após dois meses espalhados pela cidade (é bom que se diga que ele foi o primeiro a espalhar por todo canto os cavaletes a ponto de avenidas como a Agamenon no início da campanha só expor os dele e de mais ninguém), o que gerou mais uma baixa na sua propaganda. Mas esse caso do monitoramento virou motivo de piada no Brasil inteiro, inclusive sendo um dos assuntos mais comentados no twitter assim que isso começou a ganhar a rede.
            Em épocas de eleições vem a tona os casos de “monitoramento”.   Na eleição de 2004 a equipe de Cadoca “monitorou” uma humilde senhora de Brasília Teimosa, certamente utilizando-se de dados da Secretaria de Defesa Social e de outros locais.


            Também foi monitorado o advogado ligado aos direitos humanos Mororó. Nesse caso foi gente instalada no próprio palácio de Jarbas Vasconcelos, o que foi desfeito pelo advogado numa ação simples junto a conhecidos que descobriram o feito.Uma das matérias do caso está aqui:

http://www.estadao.com.br/arquivo/cidades/2004/not20040916p15372.htm

            O escritor e animador Ariano Suassuna disse dias atrás que ficou impressionado com Geraldo Júlio nas reuniões do secretariado do Governador Eduardo Campos, porque percebeu que ele sabia tudo que acontecia nas demais secretarias.



Não é por acaso que esse “conhecimento” privilegiado ele trouxe para a campanha, pois selecionou tudo que é bem avaliado no governo Eduardo Campos e colocou como “foi Geraldo que fez”, o que é absurdo e precisa ser urgentemente questionado, porque o eleitor merece ter informações corretas sobre qualquer governo.
Penso que o monitoramento do eleitor é o mais eficaz, mas Geraldo Júlio nunca se deixou ser “monitorado” pelo eleitor, que poucos sabiam quem ele era, mas que de repente passou a ser o grande nome responsável por todos os avanços do governo Eduardo Campos. No atual “monitoramento” do eleitor ele é bastante questionado, inclusive já criaram na internet um hit intitulado “foigeraldoquefez”. Mas o eleitor quer monitorar com informações precisas e não com esse marketing feroz que já passou dos limites.
            O candidato Geraldo Júlio parece que não quer ser “monitorado”, porque toda vez que o questionam algo ele diz que o povo quer saber disso e sim quem vai mudar o Recife para melhor e fica só nessa conversa fiada.
            Um candidato que realmente está se destacando é Daniel Coelho, que está sabendo de fato “monitorar” com critério o que interessa. Ao questionar a candidatura do PT que prega a todo canto que acabou com as palafitas na cidade, o vídeo produzido pela equipe de Daniel foi ao ponto.




Mas Daniel Coelho não mostra os nomes da elite pernambucana que estão em associação com o PSDB e prontos para dar a "cara" caso ele seja eleito. Ele não mostra seus padrinhos para não perder votos e para manter o discurso de "novo" o tempo todo. O candidato pode representar esse lado inovador, mas não é o caso dos seus "companheiros" de partido e aliados dele.
Uma eleição com debate apresentando dados reais é que vai ajudar o eleitor a mudar a cidade com o seu voto.

*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.br

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Todos lado a lado com um candidato em Recife: ou por qual motivo os opostos se atraem? (Por Otávio Luiz Machado)

Todos lado a lado com um candidato em Recife: ou por qual motivo os opostos se atraem?
Otávio Luiz Machado*

As eleições em 2012 em Recife vão ficar para a história como aquela em que a expressão “os opostos se atraem” foi levado ao extremo. Mas o motivo dessa “paixão” inesperada entre membros do PMDB com os do PSB,  PC do B e outras siglas de Pernambuco nem Freud explica, porque a Política se transformou num objetivo de obtenção do poder puro e simplesmente para atender objetivos práticos e individuais, sem contar que os palanques já estão sendo construídos para 2014. A partir de agora tudo se resume a isso custe o que custar.
            Os jovens que estão hoje com 22 anos, vivenciaram em toda a sua existência  a rivalidade política e pessoal entre o governador Eduardo Campos e o agora senador Jarbas Vasconcelos. O governador cita à exaustão de que é preciso abandonar a velha política do século passado, mas não se completou 2 anos da rivalidade deles em 2010 alimentada radicalmente pelos os dois sem cerimônia, mas agora tentam passar a imagem de que são amigos de longa data. O governador não estimulou a paz política, mas a unanimidade política em torno de si até o momento.  



            Um parente do Governador Eduardo Campos, Flávio Campos, que foi às ruas em 2005 contra o então governador Jarbas Vasconcelos e foi juntamente com tantos outros jovens naquele momento barbaramente reprimidos, agora divide o mesmo palanque com o ex-governador Jarbas apagando aquela história de enfrentamento e distanciamento que agora estamos vendo nas eleições.



            No caso do vice de Geraldo Júlio, o Luciano Siqueira, também mal se passou 5 anos do vídeo histórico atacando Jarbas Vasconcelos, agora são aliados de primeira ordem.



Outro que também não combinava com Jarbas Vasconcelos, o agora deputado federal Silvio Costa, também divide o mesmo palanque.



            Também temos o Governador Eduardo Campos pedindo votos para o então candidato a Prefeito na última eleição João da Costa, que agora aparece na candidatura do candidato do governador numa alusão de que não é uma pessoa séria e nem trabalhadora.



            Mas essa incoerência não é típica de Pernambuco, porque nacionalmente temos casos tão descarados, como é a aliança do PT com Paulo Maluf em São Paulo.



            No caso mais específico de Pernambuco, o que se vê é Lula fazer pouco caso  aos técnicos que se candidatam (numa crítica direta ao candidato Geraldo Júlio) no vídeo que fez em apoio ao candidato Humberto Costa, mas em 2010 utilizar o mesmo discurso valorizando um técnico na gestão, nesse caso a Presidenta Dilma.



Em 2012 chegamos ao ápice da degradação dos partidos políticos, onde o tomar parte que deveria ser a bússola para eles, é a partilha do poder em fatias para agradar aos convivas que prevalece. É a insignificância da Política, é um novo tempo para alianças que agradam a grupos políticos-partidários e não visam o INTERESSE PÚBLICO
            Mas nesse quadro sombrio também temos pela primeira vez a Lei da Ficha Limpa  abortando a candidatura de nomes que já se mostraram inaptos para a administração pública, sem contar até o momento a atitude republicana do Superior Tribunal Superior (STF) em condenar os que se envolveram no esquema de corrupção conhecido como “Mensalão”, que começou na eleição do Presidente Lula em 2002 e pulou para o seu governo em 2003, mas que foi definitivamente publicizado a partir de 2005.
            Então essa conversa fiada de algumas candidaturas que já avisam que o que vem aí é melhor merece o maior cuidado, porque no rosto novo do candidato esconde a real face de sua candidatura, que é a junção do que existe de pior na política brasileira para tomar de novo o poder e continuar usando a população em seu benefício.
            Outro discurso repugnante é a eficiência total do Governo Eduardo Campos. A Funase (mais conhecida como campo de concentração para adolescentes em conflito com a lei em Pernambuco), o sistema de transporte público de Recife (que as más línguas dizem que a maior parte da frota pertence a um conhecido político do Estado e é função do governo estadual licitar as empresas que estarão prestando serviços à população), as mini-cracolândias espalhadas pela cidade, a violência nas escolas, o sistema prisional falido, a saúde pública precária, os baixos salários dos professores, dos policiais, dos agentes de saúde e várias outras categorias, o sistema habitacional público ineficiente, a segurança pública com enormes falhas (falta de policiamento nos principais pontos da cidade, assaltos a qualquer horário,  tráfico de drogas em ascensão e tantos outros aspectos)  e sem contar a política de tolerância zero com os protestos públicos, o que afeta a cidadania (o direito de ter direitos e de acioná-los) e a diversidade de opiniões ao incitar a população a tratar o governante com unanimidade, o que resume na entrada de um terreno perigoso para o autoritarismo. É óbvio que existe muita coisa boa no governo Eduardo Campos e precisa ser mostrado como forma de prestação de contas à sociedade, mas não é uma maravilha total como está aí colocada.  
            Qual seja o lado de que estamos apoiando nessas eleições, também precisamos ficar atentos que coerência política, a probidade administrativa, a gestão eficiente, a sensibilidade social e a visão de futuro são valores ou práticas que precisamos colocar como fundamentais quando fomos analisar um projeto político em qualquer eleição. É o mínimo ou o básico para que a escolha seja não apenas criteriosa, mas aquela com mais condições de não errarmos.

*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

sábado, 8 de setembro de 2012

Notas sobre o 18º Grito dos/as Excluídos/as em Recife (em 2012) (Por Otávio Luiz Machado)

Notas sobre o 18º Grito dos/as Excluídos/as em Recife (em 2012)
Otávio Luiz Machado*

Ontem acompanhei todo o ato que desde 1995 marca o  Sete de Setembro, que longe das comemorações oficiais que estamos acostumados a ver nesse dia nas cidades brasileiras com desfiles de todos os tipos, o Grito dos/as Excluídos/as entrou no calendário como uma contra-comemoração.
Como o leque de excluídos se mantém estável desde aquela data e já é algo que acompanha o Brasil desde a entrada dos portugueses nas nossas terras em 1500, o Grito desse ano tradicionalmente chamou a atenção para os direitos das crianças, dos idosos e das mulheres, que sempre são os primeiros a puxar o ato que abriga movimentos dos sem-terra, dos sem-teto, dos estudantes, professores, dos aposentados, dos jovens de origem popular, dos funcionários públicos e privados, dos sindicatos, de organizações populares e tantos outros.
    As temáticas de luta como reforma agrária, reforma urbana, justiça popular, direito popular, direitos de protestar, contra as privatizações, pela negociação dos governos com os grevistas, pela dignidade dos aposentados, pela abertura dos arquivos e a punição dos crimes das ditaduras brasileiras, pela intensificação da luta contra a homofobia e o machismo e uma multiplicidade de questões e vozes se fizeram presentes no ato, que saiu da Praça Osvaldo Cruz, passou pela Conde da Boa Vista e seguiu até o Pátio do Carmo.
Ainda na concentração na Praça Osvaldo Cruz, a produção de cartazes, a distribuição de panfletos e documentos, as conversas e encontros dos mais diversos grupos e pessoas e o ato religioso que contou com a presença do padre Reginaldo Veloso, de Dom Saburido e do padre Miracapillo foi o começo de tudo, que contou com dois carros de som que ao longo do trajeto foi mesclando discursos dos representantes dos movimentos com uma variada e preciosa seleção de músicas.
No discurso do Padre Reginaldo Veloso ainda na concentração, que foi marcado por muita emoção, o líder dos movimentos populares e religioso foi preciso ao falar que a volta do Padre Miracapilo à Pernambuco (onde foi expulso no fim da ditadura civil-militar por se recusar a rezar uma missa para satisfazer os interesses dos poderosos) coincidia com a determinação da justiça eleitoral de tornar o Prefeito Severino Cavalcanti um candidato ficha-suja. O agora Prefeito da cidade de João Alfredo foi naquele período um dos principais nomes que defendia e usou de todas as artimanhas para expulsar o Padre Miracapilo do Brasil.
Outros momentos também foram marcantes. Na Ponte Duarte Coelho a multidão presente ao Grito coincidentemente se encontrou com um tanque do Exército e de vários soldados que passavam por ali após sair do desfile oficial de Sete de Setembro que acontecia em outro ponto da cidade (na Avenida Cruz Cabugá) ao som de “Pra Falar que não Falei das Flores” (de Geraldo Vandré). Um trecho da música  “soldados armados, armados ou não” era executado no alto do carro de som do Grito e pode ter feitos muitos associar de como era o encontro dos movimentos com militares na época da ditadura, embora ainda hoje não precisemos ir tão longe na história porque a criminalização dos movimentos sempre ocorre com a brutalidade policial em vários locais e momentos na atualidade.
Uma música-chave do MST que fala “esse é o nosso País, essa é a nossa bandeira”, a fala da criança Maria Fernanda que dizia “queremos ser cidadãos, somos o futuro da nação”,  a do locutor falando da “greve pela estruturação das universidades”, do estudante João que puxou o refrão tradicional “nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu, aqui está presente o movimento estudantil”, de Débora da Pastoral da Juventude do Meio Popular que chamou a atenção da “vida sem dignidade” de milhares de pessoas no Estado e no País, do Frei Saburido que narrou a situação do jovem que foi morto brutalmente na Funase dias atrás e das diversas vozes que reforçaram o “direito de lutar” como um dos pontos fundamentais da democracia tornou o Grito mais um exercício de cidadania e certamente contribui para a formação cidadã de diversas pessoas. Isso tudo produzido ao longo do trajeto do Grito.
Já no Pátio do Carmo uma multidão em círculo canta e dança diversas cirandas de mãos dadas. Ao som do microfone começam a aparecer as palavras finais. “O grito não termina hoje”. “A luta começa”. Para logo em seguida fechar com “Pátria Livre, venceremos!”.
Foi um ato em que pude reencontrar e conversar com diversas pessoas, mas também foi importante para reforçar algo que já venho detectando de uns tempos para cá: a indignação não deixa de crescer e as pessoas estão saindo da zona tranqüila do conformismo para o enfrentamento dos problemas da sociedade. O que esperamos ser um caminho sem volta. 


*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Opinião: Algumas palavras a Denis Bernardes, por nossa grande amizade, iniciada desde 1969 (Por Emilia Maria Mendonça de Morais)


Algumas palavras a Denis Bernardes, por nossa grande amizade, iniciada desde 1969.
Emilia Maria Mendonça de Morais
 
Recife, 02 de setembro de 2012

Todos nós sabemos por que estamos aqui hoje; todos nós recebemos e desfrutamos a dádiva da presença, da atenção e da amizade de Denis. Ele foi sobretudo um amante da justiça e, muito particularmente, da beleza, cuja fome podemos saciar sem contra-indicações ou efeitos colaterais. Guardemos sobretudo isso dele porque vivemos em um tempo que nem mais reconhece esses valores como vitais. Corremos o risco de nos contentarmos com muito menos; menos que a justiça, muito menos que a beleza.
Denis foi também um amante da alegria! Por tudo isso, relembro algumas das palavras que encerraram o discurso de Guimarães Rosa quando tomou posse na Academia Brasileira de Letras: "A gente morre é para provar que viveu". E como Dênis viveu!
Disse ainda Guimarães Rosa:
"Sobe a luz sobre o justo e dá-se ao teso coração alegria!" (...) As pessoas não morrem, ficam encantadas"
Logo em seguida, concluiu: O mundo é mágico.
Vamos dar, aqui e agora, movidos pela saudade e pela esperança, um crédito de confiança ao poeta: se nós ainda estamos vivendo neste mundo, é só porque nós mesmos ainda não nos tornamos encantados; mas, se este mundo é mesmo mágico, então, nós todos estamos vivendo sob muitos sortilégios e encantamentos.
Por isso eu pediria: apesar de toda a nossa tristeza por sua ausência, que nós nos nutríssemos, a partir deste instante, do doce encantamento que foi desfrutar da amizade de Denis.

Opinião: O Xadrez Eleitoral do PT e do PSB (Por Otávio Luiz Machado)

O Xadrez Eleitoral do PT e do PSB
Otávio Luiz Machado*

                Segundo as pesquisas eleitorais dos mais diversos institutos,  o partido do Governador Eduardo Campos, o PSB, é o que está com mais chance de vitórias nos locais que disputa.  Como pesquisa indica um determinado momento, então é o momento de Eduardo Campos.
         O PT entrou definitivamente numa sinuca de bico. Se Lula errar na mão no seu discurso aqui em Recife no próximo dia 13, isso dificultará a intensidade desejada de participação do PSB nas eleições na capital de São Paulo. Em Belo Horizonte um PSB está a um passo do primeiro turno, enquanto em Recife a marcha para a vitória também no primeiro turno até agora tem sido uma surpresa e com as chances aumentadas a cada dia e a cada nova pesquisa. Em Fortaleza PT ou PSB disputam a participação no segundo turno contra o candidato que desponta, que é do DEM.
                Em outras grandes cidades de Pernambuco o PSB virou o jogo e está muito próximo da vitória no primeiro turno. É o caso da cidade de Paulista, com Junior Matuto. Até agora só o prestígio do governador (somado a apoios partidários e financeiros consideráveis) tem sido o suficiente para impulsionar quase todos os candidatos do PSB, sem se beneficiar diretamente do julgamento do Mensalão, cuja sentença condenatória de figuras como José Genoíno e José Dirceu nos próximos dias poderá respingar na imagem de todos os candidatos do PT e aumentar a rejeição ao PT.
                A estratégia do PT de esconder a gestão João da Costa é o ato mais sem noção que se vê, porque isso limita o alcance da percepção do eleitor sobre a continuidade ou não do PT. É uma eleição plebiscitária, mais as imagens de campanha estão focadas na exitosa gestão de João Paulo, o que confunde o eleitor. Com erros ou acertos, a gestão de João da Costa apresenta iniciativas dignas do guia eleitoral, mas a campanha personalista ganhou contornos muito mais importantes que o projeto político ou a trajetória das gestões.
                O fato é que no jogo jogado Eduardo Campos está ganhando e ainda tem mais peças para mexer do que o PT. A participação de Lula será muito importante dependendo do que ele vai trazer, mas a presença da Presidenta Dilma poderia ser uma saída a mais para manter o jogo até o segundo turno e até ganhá-lo.
                No jogo mesmo cometendo tantos erros, como é o caso do PT em Recife, ainda não se pode jogar a toalha e dar o jogo como perdido. Os debates da TV, a criação de propaganda alternativa nas mídias sociais, a intensificação das militâncias nas ruas e um discurso preciso podem garantir a qualquer candidatura a aquisição de musculatura para ampliar as chances de se chegar no segundo turno.
                No caso da candidatura de Daniel Coelho, que está indo além do PT e do PSB, é o que tem reunido elementos importantíssimos para falar com o eleitor, tendo inclusive apoios nacionais de peso para sua campanha, como é o caso do Senador Aécio Neves. Também herda muito da imagem de Marina Silva, que chegou a ter quase 40% dos votos dos eleitores recifenses na última campanha presidencial, por pouco não passou a então candidata Dilma.  Cada dia mais o nome de Daniel tem sido lembrado ou fixado na cabeça do eleitor.
                Já chegamos praticamente ao último mês de campanha dos candidatos, cujo tempo não é pouco para se consolidar candidaturas. Coincidentemente é a partir desse momento que o governador Eduardo Campos irá fazer campanha quase diária com o candidato Geraldo Júlio pessoalmente na cidade, o que não é pouca coisa.
Vai ganhar quem errar menos. Vai ganhar quem se fizer mais presente nas ruas e interferir na escolha do eleitor. Vai ganhar quem demonstrar que é o eleitor que será o grande vitorioso nas eleições, porque a apatia à política é enorme. È preciso reinventar a participação política. È um dos momentos importantes para isso. Que aproveitem o momento e caminhem com o povo rumo à vitória. Só assim valerá a pena todo o esforço.
*É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O Preconceito não rima com Vida nem na poesia e nem na sabedoria (por Otávio Luiz Machado



O Preconceito não rima com Vida nem na poesia e nem na sabedoria


Todo mundo ficou estarrecido e perplexo ao abrir o jornal Folha de Pernambuco e se deparar com uma propaganda de uma entidade curiosamente chamada de Pró-Vida, que não somente agride a homossexualidade de muitas pessoas, mas a sua cidadania, porque numa mensagem “Recife não te quer”, coloca no mesmo patamar a homossexualidade ao lado de aberrações do tipo pedofilia, invocando ou despertando com a propaganda que os homossexuais não são bem-vindos à cidade. Também desperta em outros escritos que a cura – como se homossexualidade fosse uma doença – é uma dádiva de Deus, certamente sem perceber diante da sua cegueira, que Deus trata a todos como filhos e não age com preconceito com ninguém.
A repercussão desse episódio foi nacional, principalmente num período muito próximo de um evento dos maiores que reúne não o público LGBT, mas a sociedade e vários dos seus grupos numa confraternização pela cidadania, a liberdade, o respeito ao outro e à diferença, que são valores que precisamos cultivar e repassar às crianças e adolescentes, para que vivam uma cultura da paz e da tolerância com os seus assemelhados.  
O Ministério Público Estadual já foi acionado por um dos movimentos mais fortes do Estado para apurar esse descalabro fundamentalista promovido por uma entidade que deveria saber usar melhor o nome “Vida”, mas o debate não vai cessar tão cedo, porque sabemos que o preconceito anda escondido e quando ele é manifestado ocorre na base da covardia, da violência e da imposição do medo. Isso ninguém pode tolerar! 

* É educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

Uma homenagem ao Professor Denis Bernardes (Por Otávio Luiz Machado)

Uma homenagem ao Professor Denis Bernardes
Otávio Luiz Machado*

    Ao receber a notícia do falecimento do Professor Denis Bernardes (na foto o último à direita), que era ligado ao Departamento de Serviço Social da UFPE, também fiquei bastante entristecido, porque via nele uma das pessoas mais sensíveis e comprometidas com o desenvolvimento educacional e científico do Brasil, sem contar a figura humana que cativava a todos que o conheciam.
    Quando começamos a pensar nele após esse triste episódio, o que nos alenta é que ele deixou vasta obra, sem contar o seu exemplo e as lições que deixa como acadêmico e pessoa, pois conseguiu contribuir com a formação de inúmeras pessoas ao longo de vários décadas e ensinar tarefas intelectuais fundamentais.
    A simplicidade de Denis Bernardes não contrastava com o seu status acadêmico invejável. Era um dos que  soube fundir vida pessoal, vida acadêmica e projetos futuros. Não erra arrogante e nem ficava por aí tentando mostrar a si mesmo de forma vangloriosa, porque deixou marcas que não se apagarão, além de ser uma figura que se superava a cada novo desafio.
    Em 2010 recebemos o convite dele para escrever um artigo coletivo sobre juventudes para a Revista Estudos Universitários da UFPE, na qual ele era o editor. No mesmo ano tivemos a participação dele num seminário nacional que organizamos na UFPE sobre os jovens. Em seguida participamos juntos da Conferência sobre Tecnologia, Cultura e Memória (CTCM) no Instituto Brennand. Num dos dias da atividade saímos de lá juntos e fomos conversando até a UFPE, inclusive trocando experiências das atividades que tínhamos interesses em comum.
    Também me encontrei com eles várias vezes quando fazia alguns registros do cotidiano da universidade, no qual ele incentivava falando de sua importância e apontando o ineditismo da nossa iniciativa. O último contato que tive com ele faz quinze dias, quando Denis enviou uma mensagem pelo correio eletrônico me parabenizando pelo artigo GREVE: A GERAÇÃO ANOS 1970 NO COMANDO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. Foi a última vez que trocamos uma mensagem e alimentamos um convívio intelectual intenso.
    Há dois anos atrás o nosso grupo fez um vídeo com ele, inclusive para registrar e buscar difundir o trabalho dele a partir da UFPE. Ele falou sobre sua formação e o que vinha desenvolvendo na ocasião.

http://www.youtube.com/watch?v=lZwyJcWy9p0

    O que se busca nesse momento é a tranquilização das pessoas para que superem essa irreparável perda, ao mesmo tempo em que a UFPE e tantas outras instituições façam as devidas e merecidas homenagens ao grande Denis Bernardes. O próximo trabalho que vou publicar será dedicado a ele. Nesse momento além do que já disse, também cabe dizer uma última coisa. Boa viagem, Denis!
    * E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br