sexta-feira, 14 de setembro de 2012

FICÇÃO: O filme “E aí ... comeu?” inspirado para as eleições de Recife 2012 (Não recomendado para crianças!) (Por Otávio Luiz Machado)




O filme “E aí ... comeu?” inspirado para as eleições de Recife 2012 (Não recomendado para crianças!)

Otávio Luiz Machado*


         O poder pode ser comparado a uma verdadeira “festinha”, porque no seu universo se mistura fantasia, prazer, dor, traição, dinheiro, romance e muita diversão. Sendo assim escrevi algo que espero não ser enquadrado como “pornográfico” ou difamatório, porque me baseei na comédia “E aí ... comeu?” para tentar trazer um pouco desse universo das eleições municipais em Recife no tom ficcional, o que espero suscitar o debate acerca das propostas, idéias e candidaturas na cidade. Tudo é colocado aqui de uma forma que ninguém possa descobrir a identidades dessas pessoas para não expô-las publicamente ainda mais. O texto começa tranqüilo. Só no final que ele pega “pesado” nas expressões mais picantes tal como acontece no filme que o inspira. É só uma forma de gerar uma reflexão com algo que não está aqui para ser banalizado. 



         Numa das inúmeras “festinhas” da cidade do Recife nasceram 5 lind@s filh@s, cujos verdadeiros pais ainda causam uma certa dúvida na cidade. Comenta-se muito sobre isso. As mães são figuras bem-sucedidas, não dependem dos pais das crianças para sobreviver e também sequer tiveram interesse em buscar saber quem é quem nessa história.
         Os freqüentadores e não frequentadores das “festinhas” já começaram suas apostas para dizer quem é o pai, mas se sabe que as crianças possuem 5 possíveis avôs: “Avô 1”, “Avô 2”, “Avô 3”, “Avô 4 e “Avô 5”. As coisas se misturam, porque nem todos os pais dos supostos garanhões assumiram também a paternidade dos seus filhos. Mas eles acabaram herdando a fama de “garanhão” dos pais ou quase pais, o que obviamente gera uma grande discordância sobre a suposta paternidade. Todos sabemos que mesmo que o sexo seja feito por diversos parceiros durante um curto espaço de tempo, a possibilidade de paternidade cabe a um único ser. 


         Numa das bancas de aposta mostra que o jogo está embolado.  Haverá uma grande festa com muita gente participando no dia 07 de outubro, quando poderá sair o “eleito” no primeiro “round”. Sabe-se que muitos estiveram presentes nas “festinhas”, mas só alguns realmente estão cotados como verdadeiros pais dentre as cinco crianças. Um filho do “Avô 3” acabou não entrando nessa disputa, nem um dos filhos do “Avô 4”. Mas muita gente na cidade ainda acredita que eles também podem ser o pai das crianças, porque também participaram e continuam participando das “festinhas”. Mas nem Tico e nem Teco conseguiram entrar na disputa.  Outro filho do “Avô 3” fez de tudo para entrar e entrou, mas seu pai disse que ele é um filho bastardo (como acabou entrado nessa situação um dos filhos do “Avô 4”).
O “Avô 3” faz campanha contra a própria postulação do filho. Por isso alcança até o momento pouca preferência nas bancas. Também acabou ficando de fora outro filho do “Avô 2”, que se irritou com a situação criada por outros dos seus amigos e disse que nunca mais vai freqüentar qualquer “festinha”, o mesmo que passou com um filho do “Avô 4”, com a diferença de que ele quer continuar indo às “festinhas”.
         O filho do “Avô 2” já bateu o pé e disse que é o verdadeiro pai de pelo menos quatro crianças, cuja versão é confirmada e apoiada pelo seu pai. O filho do “Avô 1” já entrou pesado na disputa e disse que o “Filh@ 3” é seu. Até trouxe seu pai para defendê-lo. Só que o filho do “Avô 1” já tinha dito que o “Filh@ 3” é de um magnata, o que soa estranho ele vir com essa história depois de tudo.  Mas disse com todas as letras que o filho do “Avô 2” está mentindo, porque para ele o  “Filho 1” é de um conhecido nome e o “Filho 2” é de um grande amigo seu. Não de mais ninguém. Já o filho do “Avô 3” também deixa transparecer que o “Filho 1” pode ser seu, bem como andou insinuando por aí que o “Filh@ 3” pode ser seu, também. Ele já namorou a mãe da criança. O “Avô 2” já falou diversas vezes que nem tinha chance do filho do “Avô 3” ser pai da criança pois o filho nasceu depois de muito tempo desse namoro, que se usasse desse argumento ele também poderia ser o pai porque saiu algumas vezes com algumas das mães das crianças.
O “Avô 3” também já namorou a mãe da mãe do “Filho 3”, mas de tempos para cá está calado sobre o assunto e defende que o pai de todas as crianças é o filho do “Avô 2”. Até agora seu filho mais próximo não ficou enciumado com isso e não se sabe até quando essa história vai continuar. O “Avô 3” tem circulado com o seu quase filho por toda a cidade dizendo que ele é um garanhão e é sim o verdadeiro pai das crianças, indo além, que tem o tem como um filho muito amado e sabe da capacidade amorosa do seu filho. Que até se parece muito com ele na arte do amor e em tantos outros quesitos. O que acabou irritando o “Avô 1”, que disse que quer resolver essa conversa e até hoje não apareceu para enfrentar a parada.
A disputa encontra-se nesse momento com muitos ataques de lado a lado. O filho do “Avô 1” falou que é o mais experiente de todos os postulantes, porque já andou em muitas “festinhas” com seu grande amigo “Avô 4”. Sabe como é a coisa, que o seu taco não falha e realmente gosta e faz direito. Que sabe dar prazer a uma mulher e sempre se esquece da prevenção. Que raramente se preocupava com isso.  Mas o filho do “Avô 5” incrivelmente tem crescido nas preferências, mas é atacado pelos filhos dos “Avô 1” e “Avô 2” como um garanhão inexperiente, inclusive em alguns momentos deixa a transparecer que querem chamá-lo de “donzelo”. Mas ele retruca e disse que embora possa parecer novo e inexperiente, também começou cedo tudo na vida. 



A coisa ficou estremecida entre os filhos dos “Avô 1” e “Avô 2”. Na semana passada o filho do “Avô 2” disse que o filho do “Avô 1” “não dá no couro”  ao relatar que ficava olhando  a sua relação com as mulheres e percebeu que ele não é bom de cama. Que pode acompanhar isso de muito perto. Daí filho que é bom não teria condições de fazer. O filho do “Avô 1” não deixou barato e passou a defender sua virilidade com toda a energia. Disse que nas “festinhas” o filho do “Avô 2” só ficava olhando as moças e não comia ninguém. Que ele só esquentava para os outros comer. Mas o filho do “Avô 2” disse que não queria se ficar mostrando de bom para ninguém porque sabia da sua energia. Que entre quatro paredes era imbatível e já tinha provado isso. Que era sim o pai das 4 crianças. Já tinha mostrado que sabe fazer bem e com muito prazer proporcionado as suas amantes. Nenhuma mulher que teve em seus braços reclamou do seu desempenho. Pelo contrário.
Nessa história toda o pai do “Avô 2” saiu em sua defesa. Disse que seu filho é um homem que sabe furar gol, que já andou com ele por muitas “festinhas” e ensinou tudo que sabe a ele. Disse que o problema é que seu bom desempenho acabou ofuscando a imagem do filho. O que foi respondido pelo filho do “Avô 1”, que disse que o seu oponente sequer esteve nas “festinhas”, porque ficou fechado trabalhando o tempo todo. O que foi confirmado pelo “Avô 1”, que disse que seu filho era sim uma pessoa que sabia conciliar bem trabalho e lazer, sendo bom em ambas. Que os filhos dos outros não passavam de invejosos e mentirosos.
Assim o filho do “Avô 1” já mandou espalhar por aí que um nome que até tinha ficado noivo da mãe do “Filh@ 3” foi o primeiro amor da vida da mulher, mas quem comeu mais e fez o filho foi ele. Disse que quem comia a mãe do “Filho 1” era um nome bem conhecido, que o filho do “Avô 2” no máximo deu uns beijos nela e só. Que o “Filh@ 2” não tinha como ser dele, porque sequer conheceu a mãe dele. Só de pensamento ou intenção não se faria um filho, nem tampouco na masturbação.
Depois disso o filho do “Avô 2” também espalhou a notícia de que era sim o pai das crianças. Chamou o suposto pai do “Filh@ 1”, que falou que comia sim. Ele não negou e passou alguns detalhes de como era a relação, como o uso da camisinha em todas as transas. Que  poderia provar que a relação do filho do “Avô 2” com a mulher foi mais intensa e nem sempre  feita com a devida prevenção. Não foi ele que manteve uma relação mais forte com a mulher numa determinada fase adiante, embora garantiu que foi ele que tirou a virgindade da moça. Mas como amigo de ambos poderia atestar o que falava porque vivenciou a relação do casal. Também chamou o suposto pai do “Filho 2”, que não negou o romance com a mãe da criança, mas afirmou que o filho do “Avô 2” já deu provas de que fazia mais mesmo que rapidinho, porque seu amor era mais intenso, tinha uma motivação maior para o romance. Também o pai do “Filho 3” disse que manteve a relação com a mãe da criança, mas como amigo foi ele que intermediou o romance do seu amigo com a mulher. Que o filho nasceu dessa relação rápida, intensa,  com muita atenção e carinho.
Um dos momentos mais curiosos aconteceu quando os “postulantes” se encontram em um bar e cada qual em sua mesa começou a debater sobre diversas questões. Aqui uma das conversas:

- Agora você vai vir aqui falar que comeu todas as mulheres e que os filhos são todos seus. É preciso ser mais realista, meu caro!

- Não só estou falando que comi todas. Só estou falando que tenho mais jeito com elas muito mais que você, só isso.

- Mas meu pau é maior e eu já deitei com muito mais mulheres que você. Comi muito mais que você.

- Nada disso. Eu te flagrei e vi que seu desempenho é muito fraco – disse o “postulante” com toda intensidade. – Se  faz sexo assim filho que é bom nunca teve. E fazer filho não é algo simples. Não basta só querer ou dizer que fez.

- Você deveria perguntar para as mulheres antes de falar qualquer coisa. Eu pelo menos me conheço. Eu trepo muito melhor que você. E comi muito mais. Quem não comia ninguém não pode aparecer agora fazendo tanto filho.

Um cidadão humilde (mas esclarecido) que passava por ali foi preciso quanto ao que viu: “Enquanto eles ficam disputando quem tem o pau maior, quem comeu mais e quem é o pai ou não, também esquecem que para as crianças o que interessa é elas crescerem bem formadas e se tornarem cidadãos de fato. Isso é uma baixaria sem tamanho e somos obrigados a ouvir isso toda hora e por todo o canto na cidade”.  



O debate entre os avôs na defesa dos seus ganhos ares que começou a agitar a cidade. Sobre o tamanho do pau, quem foi mais às “festinhas”, quem comeu mais e até desmentidos de quem disse que comeu e não comeu. Não passou disso. Também nem se tocou sobre o futuro dos filh@s dos seus filh@s.

Nessa história toda no texto deu para perceber que o “Filh@ 3” é o mais disputado e querido de todos os postulantes à garanhão da parada, embora é preciso dizer que a mãe dessa linda criança é a mais amada, a mais desejada e a que cede mais ao amor do que todas as outras juntas. 


Como quem leu até o final percebeu que o “Filh@ 5” ninguém quer assumir, mas ele existe e está bem diante dos nossos olhos. É como a desigualdade social, que no nosso País não se consegue diminuir, embora esteja em todas as relações sociais, nas mais diversas instituições e  nos discursos oficiais ou dos nossos candidatos.  Mas num País como um nosso não existe lugar que ela tenha diminuído de fato, embora o consumo tenha aumentado, o desenvolvimento econômico esteja bem mais distribuído nas regiões e a preocupação com políticas sociais esteja em alta.
Não se vê auto-crítica e muito menos a assunção de erros nas candidaturas. Assume-se que é o melhor, o que fez mais e o que tem mais competência. Também se apropria daquilo que não fez ou daquilo que não é. Nem tudo que é importante para a cidade está sendo debatido.
Como assumir ou não é uma relação de proximidade, de discernimento e de caráter, o texto quis trazer uma mensagem para que todos busquem conhecer os projetos políticos dos candidatos e aprofundem no estudo de quem vai ter o seu voto. Isso faz toda a diferença, mas não é tudo. É só um bom começo.


*É Educador, pesquisador, escritor e documentarista. E-mail: otaviomachado3@yahoo.com.br

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